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sábado, 30 de outubro de 2010

O ensino da ciência em escolas do interior do RS

     Com o surgimento das novas tecnologias, entre elas a internet, as escolas tiveram que se adaptar à realidade de alunos cada vez mais adaptados ao uso do computador. Hoje, é comum escolas com laboratórios de informática destinados a complementar o aprendizado em sala de aula. Esta é a realidade também das escolas de meio rural, localizadas no interior dos municípios, como as do interior de São Pedro do Sul, região central do Rio Grande do Sul. Por lá, as novas tecnologias têm contribuído para o aprendizado dos alunos. Professores de ciências agora fazem uso do computador e aparelhos de DVD, ao lado de velhas técnicas de ensino.
   A professora Mariclei Vieira Jaques, que leciona nas escolas municipais de ensino fundamental Rosa Lazaroto Arboite e 29 de Março, na localidade de Serrinha, interior de São Pedro, afirma que a internet facilitou o acesso e as pesquisas. Segundo ela, a ferramenta possibilita que os professores tenham acesso a informações que podem ajudar no planejamento das aulas. A dificuldade, entretanto, está em conectar. “Por se tratar de uma escola do interior, às vezes temos dificuldades com a conexão da internet” afirma Mariclei.
Ágar-agar: hidrocolóide extraído de algas
marinhas vermelhas.
Ela destaca também, que a disciplina de ciências nas escolas em que atua, é realizada com atividades práticas e temas atuais. Como exemplo cita a aula do dia 21 de setembro. “Em função do Dia da Árvore, nós trabalhamos textos interligando a disciplina” diz. Também são realizadas práticas de análise de bactérias, como por exemplo, a que se desenvolve através do ágar-ágar, hidrocolóide extraído de diversos gêneros e espécies de algas. “Colocamos o ágar-ágar em um recipiente fechado junto com o líquido que sai da carne moída (guizado). Em pouco tempo a bactéria se desenvolve e os alunos podem observar com mais precisão” explica Mariclei.
Incluem-se ainda análises de células com o uso microscópios e pesquisas de plantas com observação das folhas e raízes aéreas, que segundo a professora são processos de difícil aprendizado se não houver a prática. “As aulas práticas despertam a curiosidade” salienta Mariclei.
    O professor Romel de Almeida Ptzalaff, também faz uso das novas tecnologias em suas aulas. Ele destaca o uso de aparelhos de DVD, pelos quais é possível passar aos alunos, de forma simplificada, a reconstituição dos assuntos trabalhados em aula, tendo como aliados áudio e imagem. “Os alunos assistem diversos filmes. Entre eles esteve os sobre vulcões e terremotos, por exemplo. Após, solicitei que eles fizessem atividades em sala de aula. Os trabalhos vão desde textos até desenhos interpretando o filme, dependendo da série em que estão” explica.
    Romel trabalha nas escolas municipais Naurelino Souto, da localidade de Xiniquá e Jacó David Diesel, de Cerro Claro, ambas na zona rural de São Pedro. Ele destaca que as novas tecnologias possibilitam deixar as aulas mais atrativas. “As aulas não se tornam monótonas. Conseguimos atrair a atenção dos alunos de maneira lúdica e dinâmica, o que facilita o trabalho” diz.
Outro fator que contribui para o aprendizado da disciplina de ciências são as experiências cotidianas. “Em minhas aulas procuro relacionar a ciência com o que os alunos vivenciam no dia-a-dia, levando em conta a realidade deles” destaca o professor. Por se tratar de escolas da zona rural, Romel, que também dá aulas de técnicas agrícolas, utiliza atividades como o plantio de hortaliças, para motivar e ao mesmo tempo ensinar os alunos. Os estudantes aprendem a plantar em hortas nas escolas e ao mesmo tempo compreendem a importância de uma alimentação saudável, rica em vegetais e sem agrotóxicos. As hortaliças cultivadas pelos alunos são, posteriormente, utilizadas na merenda escolar, reduzindo o custo para a escola e oferecendo uma alimentação mais adequada.
Além das hortas, outra atividade escolhida por Romel para trabalhar na disciplina de ciências, é o plantio de mudas de árvores nativas. Os alunos são motivados ao reflorestamento e ao mesmo tempo promovem o embelezamento da escola.
Ambas as atividades, o uso de tecnologias ou as relacionadas ao contato com a natureza, podem possibilitar aos alunos um novo olhar sobre os temas estudados, facilitando a compreensão da disciplina. São duas alternativas que valem a pena ser utilizadas pelos educadores e valorizada pelos alunos, no aprendizado de ciências.

Por Andressa Scherer

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A mídia está na sala de aula. E ensina ciências

A proposta é aproximar aluno e professor, utilizando a mídia como conexão. Eis o método da professora Ereni Meldt Motta, 55, que trabalha com as disciplinas de Matemática e Ciências nas turmas da 5ª série, na Escola de Ensino Fundamental Augusto Ruschi, localizada na Cohab Santa Marta, periferia da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
A professora Ereni é pós-graduada em Mídia e Ciências. Para ela, usar a mídia como ferramenta é fundamental para construção do entendimento das ciências.  Através dela a professora contextualiza o conhecimento e propicia a identificação dos alunos com disciplinas como a temida Matemática e a "difícil" Ciência.
A professora se aproxima dos alunos falando a sua linguagem e criando dinâmicas construtivas. Ereni trabalha com um blog que ela mesma construiu, o Aprendendo a Evoluir, para promover um espaço comum, acessível e atualizado para interações entre pessoas interessadas nesta proposta de trabalho.
Ereni posta vídeos de no máximo seis minutos. O material serve para discussão em aula, contextualizar e deixar os conteúdos mais visíveis à classe. Ali estão jogos, links com endereços de outros blogs para sugestão de pesquisa e atualizações científicas.
“Se eu os tenho (alunos) do meu lado, a matemática se torna prazerosa pra eles e pra mim também”, diz Ereni Motta.
Um exemplo da relação que a professora Ereni estabelece com seus alunos através do seu método de ensino é um vídeo feito pelos próprios alunos e disponível no site You Tube.
No seu método de ensino da matemática  a professora utiliza site de jogos educativos, tais como o Hot PotatoesNo site os alunos podem também fazer exercícios de outras disciplinas, como português e história. O site tem um visual fácil e próprio para crianças e adolescentes. Nele, num primeiro momento pode-se aprender as horas brincando com um relógio em nível fácil até o dificílimo. Existe um link para a aula de matemática, onde as crianças podem conhecer alguns tipos de moeda, fazer cálculos fracionários, resolver problemas matemáticos, estudar a tabuada, medidas aritméticas, entre outras particularidades da matemática básica. Isto tudo com um formato dinâmico, cores que dão um aspecto jovem ao site, e que chama atenção dos jovens para aprender de forma atualizada e conectada com as novas formas de ensino das ciências, tendo a mídia como suporte.
O site traz exercícios no formato de jogos divididos nas categorias: fácil, médio, difícil, ângulos e número. Estes exercícios são discutidos em aula, questionam-se os erros e os alunos tem outra chance para refazer as questões que erraram. 
Nas aulas de matemática Ereni destaca a importância da leitura, porque acredita que se os alunos adotam o hábito da leitura, fica mais fácil entender e pensar na matemática. Ela traz um saquinho com gibis e os alunos que terminam as lições primeiro tem duas funções: ou ficam de monitores auxiliando outros, ou lêem as revistinhas.
“Hoje não vejo um professor sem trabalhar com a mídia, se você não trabalhar com as mídias estará distante do que os alunos querem”.
A professora diz que aproxima os alunos através da mídia, como se fosse uma forma de falar a linguagem dos alunos. Quando esta aproximação acontece, somadas com a afinidade entre ela e a classe, fica mais fácil trabalhar qualquer disciplina. As mídias que têm mais abrangência, como é o caso da televisão e internet são as que mais contribuem para as suas aulas, sempre fazendo um link entre o conteúdo e uma notícia científica, um programa jornalístico que tenha uma boa credibilidade.
Para Ereni Motta não importa quanto tempo um professor leciona, ele precisa estar atualizado e buscar novas formas de ensinar,principalmente ao trabalhar com crianças e adolescentes numa geração cheia de informações de todos os lados. E nela, muito além de expectadores, os jovens estão conectados e os professores precisam falar a sua linguagem para aproximar tanto a classe como a disciplina para a sua realidade, construindo assim um novo conhecimento.

Por Sérgio Pinheiro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Medicina popular: chá de Coronilha para baixar a pressão

Julia Pereira da Silva tem 67 anos e deles, 22 anos dedicados à comercialização de plantas utilizadas para tratar os mais diversos problemas de saúde. Sua loja localiza-se na banca número 169 do Shopping Popular Independência, em Santa Maria, RS. Na loja são atendidas em média 50 pessoas em busca de ingredientes para chás, infusões e outros tratamentos fitoterápicos indicados pela avó, amigos e, inclusive, médicos, segundo a vendedora.
Aline Augusti Boligon é farmacêutica. Seu local de trabalho é o Laboratório de Fitoquímica, localizado no prédio 26 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em meio a pipetas, microscópios e outros aparelhos do universo científico, Aline pesquisa os efeitos da Coronilha, uma árvore de pequena estatura nativa da América do Sul. Julia sabe quais são eles por meio da sabedoria popular. Aprendeu sobre o ofício com seu marido. “O chá é bom para limpar e afinar o sangue”, afirma. Sua casca produz uma tintura de efeito diurético e cardiotônica, já seu chá baixa a pressão. A planta realiza mesmo esses efeitos?
Não é uma tarefa fácil responder esta pergunta, mas Aline já avança em seus estudos. O primeiro passo é identificar de forma correta a planta que se quer pesquisar, tarefa de um Botânico. O segundo passo é preparar um extrato, que é a essência, o sumo. Esse extrato é colocado em um aparelho conhecido como HPLC, um tipo de aparelho que isola substâncias do extrato. “Uma planta tem várias substâncias e estudando a composição de cada substância se chega aquela interessante para o estudo”, diz Aline.O processo inicial dura cerca de duas semanas.
Como no laboratório não é possível testar os efeitos medicinais da planta, Aline procurou parcerias. Amostras do extrato foram enviadas para a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na UFPR, os pesquisadores colocaram o extrato para agir em artérias de rato in vitro. Na experiência foram observados uma vasodilatação nestas artérias. Isso comprova um dos efeitos da sabedoria popular: a tintura da planta tem uma substância que baixa a pressão. “O efeito foi semelhante a methiocolina, presente no organismo humano e serve para regular pressão”, explica Aline. 
Nome popular: espinheiro, coronilha
Nome científico:Sideroxylon obtusifolium
Família:Sapotaceae



Em Santa Maria a pesquisadora também realizou alguns testes de toxicidade que visa verificar a dose ideal e em que ponto a substância pode ser prejudicial. Na experiência, o extrato da planta estudada é colocado em um aquário com Artêmias, uma espécie de crustáceo. Depois de um tempo é verificado quantos morreram expostos a substância. Aline ressalta que este não é um teste exato, pois o que pode ser muito prejudicial para um organismo, para outro não. O segundo teste previsto é o da exposição de sangue humano à substância e verificar as lesões nas células.
Enquanto isso, para saber a dose exata para o uso da Coronilha é só seguir a dica da Julia. “Tem que tomar um chá bem ralinho, não muito escuro, senão baixa a pressão demais”, finaliza.


Por Leandro Rodrigues

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Twitter, o novo espaço social

     As redes sociais já existem há algum tempo. Seu aparecimento deu-se em decorrência do avanço tecnológico, possibilitando a troca de informações por meios digitais online. Com o amadurecimento tecnológico dos meios de comunicação surgiram o Orkut, o Facebook, o Twitter e outras redes sociais semelhantes. Novos espaços virtuais começaram a ampliar a capacidade de interação entre pessoas geograficamente distantes. Isso gerou, de certa forma, um avanço social. Além de estabelecer relações de reciprocidade entre as pessoas, surgiu também a possibilidade de interação entre aqueles que utilizam esse terreno midiático como forma de trabalho.
A possibilidade de combinar trabalho e entretenimento agrada a todos. Além de proporcionar interatividade, esses meios são grandes facilitadores da publicação online, o que facilita para que sejam atendidas as necessidades de muitos grupos, sejam eles sociais ou comerciais.
     Tais plataformas de comunicação estão, de um certo modo, substituindo as antigas como o telefone e a televisão, uma vez que a relação das pessoas com as tecnologias antes existentes se altera com o passar do tempo.
Cada sistema de comunicação possui mecanismos diferentes. Esses agregadores de perfis fazem das pessoas ora expectadoras, ora formadoras de opinião. Temos como exemplo o Twitter, que enquanto rede social permite aos seus usuários enviar e receber informações de seus contatos. Com um texto de até 140 caracteres, suas atualizações são exibidas em tempo real. O serviço é oferecido gratuitamente pela internet. A quem preferir, é possível até mesmo utilizar o serviço via SMS. Nesse caso, haverá uma cobrança feita por meio da operadora telefônica usada.   
     Criado em 2006, o Twitter ficou popular em todo o mundo.Embora não se conheça o número exato de usuários do Twitter, sabe-se que o índice é consideravelmente alto. No Brasil, 61% dos usuários do serviço são homens, solteiros, idade entre 21 e 30 anos, normalmente possuem ensino superior e a renda mensal entre R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00. A maior parte deles reside nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, segundo dados de uma pesquisa realizada pela agência Bullet. A pesquisa mostrou ainda que esse público utiliza cerca de 50 horas por semana na internet. Aproximadamente 60% deles são formadores de opinião.
     O Twitter é também uma das ferramentas online mais utilizadas por celebridades. Isso faz aumentar a procura de pessoas anônimas pelo serviço.
Uma das características que mais agrada os Twitteiros, é a possibilidade de detalhar o que se pensa, vê ou faz no exato momento em que se passa. Alguns usuários são capazes até de se tornar repórteres durante um evento midiático, o que pode ser considerada hoje a maneira mais fácil e rápida de transmitir a notícia. O texto pode ser escrito de qualquer lugar por meio de um aparelho móvel e postado no mesmo instante.
   O Twitter também vem sendo utilizado por empresas como forma de divulgar suas marcas, através de constantes atualizações. A ferramenta facilita a ligação entre o serviço e o consumidor, com reclamações, trocas de opiniões e sugestões.
   Depois de levar um bom tempo para ser reconhecido por usuários da rede, ele ganha um espaço virtual cada vez maior, até mesmo além do esperado. O futuro? Ninguém sabe!

Raquel Acosta
 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ensino da ciência: como aprender brincando

Alcanos, aldeídos, cetonas, 2x+12x+1...
Eis alguns dos maiores pesadelos dos estudantes, sem falar da Física. Durante muito tempo a Química, a Matemática, a Física e a Biologia foram odiadas e se tornaram sinônimos de notas baixas. 
Pode também significar muitas noites em claro sobre os livros.
Os professores, que sofriam certo “preconceito” dos alunos, resolveram mudar o modo de ensinar. Adotaram uma metodologia ideal para adolescentes: diversão e aprendizagem. Desta forma a matéria deixa de ser complexa e começa a ter um entendimento mais fácil para os alunos.
Paródias, desenhos, piadas... Tudo isso é usado em sala de aula. O professor de Física, Marcelo Correa, adotou esse método em suas aulas. Segundo ele, os alunos do primeiro ano apresentam dificuldades, pois no ensino fundamental a disciplina não é estudada. Para facilitar o aprendizado e despertar o interesse do estudante, o professor conta piadas e toca violão parodiando canções, relacionando com a Física. O desempenho dos alunos foi significante. Nenhuma nota abaixo da média e, o mais surpreendente, nenhuma reclamação do tipo: “Ah, não. Agora tem aula de Física”.
A música “Chora, me liga” de João Bosco e Vinicius, virou paródia e é a mais cantada pelos alunos nos corredores:

“Não era pra você brincar
Era só para estudar
Eu te avisei, eu bem que te avisei
Você sabia que não era assim,
Você estudar a física desse jeito assim
Eu te avisei, eu bem que te avisei
Podemos relembrar na física o que estudamos
Que foi a luz de um corpo por reflexão
Também podemos ver que as cores que os corpos apresentam
Dependem das cores que as luzes refletem
Vamos estudar minha gente pra passar de ano
Pensar nos teus planos
Tem que batalhar
Vamos estudar minha gente que o ano não acabou
O ano ainda não passou,
Ainda dá pra vocês recuperarem...”

As aulas de Química do terceiro ano, do ensino médio, também passaram por mudanças metodológicas. A química orgânica é o maior pesadelo para quem está se despedindo do colégio. Estudar a nomenclatura dos compostos orgânicos não era nada fácil para os alunos.
Pensando nisso, o professor de cursinho pré-vestibular Eduardo Guiani, tornou as aulas mais agradáveis. A relação entre professor e aluno foi trabalhada por meio de conversas engraçadas, deixando o estudante mais a vontade para questionar quando dúvidas aparecerem. Após isso, a química é ensinada com uma pitada de humor e prática.
“Ensinar rindo sempre funcionou. Mostrar ao aluno que ele pode brincar e se sentir a vontade é muito importante. A matéria se torna agradável e a sua compreensão é facilitada, principalmente pela prática no laboratório” assegura o professor que trabalha com macetes para facilitar a memorização.
Os macetes são ridicularizados pelos alunos, mas eles não abrem mão de decorá-los na hora da prova. Um exemplo é a brincadeira para decorar a nomenclatura dos ácidos, onde se troca ISO por OSO, ATO por ICO e ETO por IDRICO: mosquITO teimOSO, te mATO te pICO, te mETO no vIDRICO.
 O essencial é saber se tal forma de ensinar é aprovada pelos maiores interessados: os alunos. A estudante Clarissa Manardi, 14 anos, disse que foi a maneira mais fácil de aprender. “Eu não sabia nada sobre Física e no começo tinha muito medo. Mas com as paródias foi bem divertido de estudar, não senti nenhuma dificuldade”.
Já Marcus Vinicius Cleming, 17 anos, acredita que todas as aulas deveriam ter essa metodologia. “Aprender Química, Física e Matemática, se divertindo é muito bom. Mas deveria ser assim com as outras disciplinas. Minha compreensão nessas matérias é excelente, mas em Português e Literatura é complicada” brinca o estudante do terceiro ano.
Quem disse que ciência precisa ser aterrorizante? Ainda mais quando se trata de ensinar ciência. Algumas atividades desenvolvidas ajudam a entender fenômenos climáticos, conceitos de física e biologia, como cores, luzes e comportamento animal. E o que é melhor: tudo isso brincando.

 Camilla Guterres




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ciência caseira



Uma experiência totalmente "caseira" evidencia que o conhecimento é experimento e descobertas. Um grupo de americanos resolveu lançar uma câmera HD ao espaço, presa a um balão metereológico. O experimento, batizado de "Brooklyn Space Program" reuniu a "família", ou seja, os "cientistas e os seus filhos".
Junto com o balão e a câmera , foi  enviado também um iPhone responsável pelo envio das coordenadas de sua localização por GPS - assegurando o resgate da câmera posteriormente. O grupo sabia que o balão perderia sustentação pela pressão atmosférica, se esvaziaria e cairia num espaço curto de tempo. Para não perdê-lo, atacharam a ele um mini paraquedas. O que a cãmera registrou em pouco menos de duas horas, com ventos de 160km/h e temperatura de 60 graus negativos, pode ser visto no vídeo acima.

Da redação

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Fotojornalismo e 120 de história

A revista National Geographic reuniu todo o seu  trabalho e o acervo de imagens de 120 anos - 1888 a 2008- em um HD de 160 GB e deixa 100 GB para o usuário guardar seus arquivos pessoais.  São1.440 revistas lançadas nestes 120 anos, e ainda alguns bônus em vídeo e um jogo em forma de "Quiz", para testar seus conhecimentos.A edição foi lançada em dezembro do ano passado e não no Brasil. Adquirir só pela internet.Preço?  199 dólares.Trata-se de um dos acervos iconográficos mais valiosos, publicado de modo contínuo há mais de um século. Obrigatório para compreender melhor a dimensão e história da revista e do fotojornalismo.

Da redação

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Simpósio discute o futuro da Amazônia

As questões relacionadas à região amazônica serão discutidas em simpósio internacional promovidos pelas Associação Interciencia, SBPC e Inpa, nos dias 25 e 26 de outubro corrente, no Tropical Manaus Hotel, reunindo pesquisadores de instituições brasileiras e do exterior.
Três painéis abordarão os bens e serviços ambientais; o potencial da biodiversidade e desenvolvimento sustentável; e os desafios ambientais.
Durante o evento está prevista uma sessão especial de entrega do prêmio Interciencia em Ciências da Vida 2010 ao pesquisador Rodolfo A. Sánchez, professor emérito da Universidade de Buenos Aires, Argentina.
A Associação realiza o seu 36º encontro anual, no dia 24, também em Manaus.
O simpósio "O Futuro da Amazônia" é aberto ao público e não será necessária inscrição.
 
Da Redação

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Corredores de floresta: uma possível solução para a biodiversidade

A fragmentação das florestas tem se tornado um problema cada vez mais comum. Um exemplo clássico pode ser as ilhas de vegetação nativa em meio aos campos. O que antes era uma grande floresta, hoje apresenta-se de forma reduzida. Como consequência direta, espécies de animais que necessitam de grandes espaços ficam acuadas, e até mesmo são extintas.
Um dos exemplos mais conhecidos de fragmentação de uma floresta é a mata atlântica. Segundo o programa SOS Mata Atlântica, hoje só restam 7% de sua extensão original. Seus fragmentos estão espalhados pelas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil.
Uma das soluções encontradas para minimizar o efeito deste desmatamento desenfreado foi criar corredores de hábitat unindo essas ilhas, tal qual estradas que unem as cidades. Para os animais a importância dessas “estradas” é possibilitar para algumas espécies mais espaço, tão essencial para sua busca por alimentos e reprodução. A manutenção dessas espécies, por sua vez é necessária para o equilíbrio ecológico. Mas até que ponto a criação dos corredores é eficaz?
O corredor atenua os problemas trazidos pelo corte da vegetação nativa, principalmente no caso das espécies menores, como roedores. Sua criação não traz benefícios apenas para as populações pequenas. Contribui ainda para que novas espécies utilizem o espaço aumentando a biodiversidade. Entre os aspectos negativos estão a ampliação do estrago causado pelos incêndios, a facilidade para a entrada de organismos indesejáveis no ecossistema, por exemplo, espécies exóticas invasoras, não para competir e sim aumentar o risco de transmissão de doenças nocivas as espécies nativas.
Porém, a maioria das espécies pertencentes a diferentes grupos, respondeu de forma positiva a existência dos corredores. São inúmeros os estudos que enfocam a implantação dessas galerias de mata. O zoólogo Nick Haddad realizou um trabalho em 2003 na Carolina do Sul (Estados Unidos), mostrou a eficácia dos corredores no deslocamento de espécies tão diversas (abelhas, borboletas e mamíferos). Outro estudo realizado na mesma localidade em 2006 pela bióloga Ellen Damschen, mostrou a importância das estruturas no surgimento de novas espécies vegetais devido ao aumento dos movimentos de dispersão das sementes entre os dois fragmentos de florestas.
Os corredores, apesar da maioria dos estudos comprovarem a sua eficácia, não devem ser utilizados como a solução de todos os problemas gerados pela fragmentação das florestas e que todas as espécies de animais sejam favorecidas. O seu uso ainda está em fase de experimentação e sua aplicação conservacionista é reconhecida pelo Sistema Nacional de Unidades (Lei nº 9.985), pois tem grande potencial em melhorar a situação da flora e da fauna prejudicadas pelo desmatamento florestal.

Leandro Rodrigues

Texto produzido com base na matéria "Os Corredores de hábitat e a manutenção da biodiversidade", publicada na revista Ciência Hoje de Abril de 2009.

Internet: um novo futuro

Você já pensou em um mundo onde pessoas criativas constituem a classe dominante? Um futuro de mudanças através do ciberespaço e das novas tecnologias seria possível?
É o que afirma o cientista social inglês Richard Barbrook, da Universidade de Westminster. Segundo ele, no futuro haverá uma nova classe dominante, de mudança de uma elite industrial para uma da era da informação, onde as pessoas farão novas coisas de novas maneiras ou com novas tecnologias.
Barbrook aborda esses temas em seus dois livros, disponível na internet gratuitamente, é claro, “The Class of the new” (“A classe do novo”) e “Futuros imaginários: das máquinas pensantes à aldeia global”. Este segungo livro começa com história do autor aos sete anos de idade em Nova York no ano de 1964, visitando a Feira Mundial onde se prometia que em 20 anos estaríamos tirando férias na lua, haveria fusão a frio e inteligência artificial. Foi também nesse ano que a visão de futuro mudou e surgiu uma nova: a da internet.
O autor se inspirou na publicação de “Entendo a mídia”, do filósofo canadense Herbert Marshall Mcluhan, que levantou a hipótese de quando a mídia, as telecomunicações e a computação se fundissem, uma nova sociedade seria criada, não mais baseada na imprensa, mas sim na rede de computadores. Mcluhan previu isso cinco anos antes da internet ser criada.
    Para Barbrook, as pessoas que trabalham com a internet hoje serão a nova classe, a classe criativa, e toda a sociedade estará voltada para essa atividade. No entanto, o cientista ressalta que a criatividade não deve estar restrita a um pequeno grupo social, porque ela existe em toda a população, e a criatividade em massa é melhor do que aquela originada apenas por alguns indivíduos.Ele ressalta também que a internet é uma ferramenta útil, não uma tecnologia redentora. E ao darmos poder demais a ela, ignoramos que nós mesmos somos os seus criadores, podendo intervir no futuro como quisermos. 
   Qual é o novo futuro? O cientista afirma que essa é uma tarefa para os seus leitores decidir. E que sabe apenas das qualidades que devem ter os novos donos do futuro: espírito democrático, coletivista, igualitário e global.

Bruno Garrido
Texto produzido com base na entrevista com Richard Barbrook,publicada na revista Ciência Hoje de junho de 2009.

O mistério da energia sem fim

“Toda e qualquer teoria para a supercondutividade será desaprovada!” A afirmação do físico suíço-americano Felix Bloch resumia o sentimento de inúmeros especialistas sobre o tema em meados da década de 30. Mas, antes de qualquer argumento, é necessário entender do que estamos falando. A supercondutividade é, antes de mais nada, uma propriedade física. Tal termo está ligado a uma característica dos materiais descoberta acidentalmente em 1911, por Heike Kamerlingh Onnes.

Trata-se da possibilidade que alguns materiais têm (o mercúrio foi o primeiro testado) de perder sua resistência elétrica quando submetidos a temperaturas extremamente baixas. O físico resfriou o elemento e descobriu que a corrente elétrica torna-se nula perto do zero grau Kelvin ( medida de temperatura). Para entender melhor, seria como submeter o elemento a uma temperatura de – 268,95 graus Celsius (medida ao qual estamos acostumados). O fenômeno surpreendeu os físicos, porque possibilita que uma corrente flua eternamente.

O que acontece é que, normalmente, a energia vai se terminando à medida que os elétrons do interior de um metal se colidem. Essas colisões só ocorrem porque há agitação térmica e vibrações entre os elementos. Na medida em que a temperatura começa a ser reduzida diminuem as vibrações e movimentos de elétrons, e, por isso, não há choque entre eles. Isso explica, de alguma forma, o funcionamento dos trens que flutuam sobre trilhos, ou ainda, o atualíssimo acelerador de partículas, produzido em Genebra, na Suíça.
Mas a grande jogada da supercondutividade não é essa. O problema é que o alinhamento perfeito entre elétrons e átomos que gera a supercondutividade só ocorre no zero grau absoluto. Não ocorrendo, assim, abaixo da temperatura crítica (cerca de -200ºC).
Alguns físicos sugeriram que a supercondutividade era resultado de um estado quântico. Dessa maneira, os elétrons que conduzem a eletricidade juntam-se em uma mesma ordem, formando um estado coletivo que se movimenta conjuntamente na rede cristalina.

Outros cientistas, entre eles o norte-americano John Bardeen, fizeram novas descobertas que ajudam a entender o mistério da supercondutividade. Ele percebeu os isótopos - que tem massa maior por possuir alguns nêutrons extras. O resultado foi que quanto mais leve o isótopo, mais elevada a temperatura crítica do estado supercondutor. Bardeen concluiu que a rede cristalina passaria a vibrar diferentemente devido aos isótopos e a interação dos elétrons com tais vibrações eram fundamentais para entender a supercondutividade.

Daí em diante físicos de todo o mundo passaram a tentar entender o comportamento dos elementos a partir da supercondutividade. Porém, foi Bardeen que publicou uma teoria, em 1958, em que dizia que os elétrons formam pares e assim agem de forma conjunta. Para arrancá-los deste estado é necessário fornecer um valor mínimo de energia para quebrar um destes pares. Mais tarde os físicos Johannes Bednorz e Alex Muller tentavam buscar materiais dotados de um efeito especial intenso, chamado Jahn- Teller, que nada mais é do que uma deformação da rede cristalina que ocorre ao redor de certos átomos. Eles analisaram as deformações por meio dos fômons - ondas que se propagam dentro do material. A partir desta teoria seria possível prever quantos movimentos de onda acontecem em um material, bastando conhecer somente sua estrutura cristalina.

O mistério da supercondutividade ainda circula no mundo dos físicos. O que se sabe ao certo é que não são apenas simples vibrações de elementos e que entender o funcionamento dela pode trazer muitas contribuições práticas para a vida do ser humano.


Matéria produzida a partir da reportagem "Supercondutividade: que vibrações são essas?" da revista Ciência Hoje do mês de junho de 2008.

Já coroados, os estudos sobre HPV e HIV refletem até hoje

Três pesquisadores europeus dividiram o Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2008 por descobertas que associaram dois vírus a doenças de grande impacto para a humanidade. Metade do prêmio foi para o alemão Harald zur Hausen, que mostrou que o papiloma vírus humano, conhecido como HPV é o causador do câncer do colo do útero em mulheres. A outra metade foi para os franceses Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi, que descobriram o vírus da imunodeficiência humana HIV, causador da Aids.
O prêmio anunciado coroa a descoberta do agente responsável por um dos mais sérios problemas mundiais de saúde pública das últimas décadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a Aids, sigla em inglês para síndrome da imunodeficiência adquirida, vitimou mais de 2 milhões de pessoas em 2007.
A descoberta do HIV por Barré-Sinoussi e Montagnier explicou o agente causador de uma doença descoberta no início dos anos 1980, responsável por comprometer o sistema imunológico dos pacientes. O vírus foi identificado em células humanas cultivadas pela dupla, nas quais eles detectaram a atividade de uma enzima, a transcriptase reversa, que acusava a replicação de um retrovírus. Em 1984, eles isolaram vírus obtidos em células de vários indivíduos que sofriam da síndrome.
Graças ao trabalho da dupla, foi possível demonstrar que esse vírus era o agente causador da síndrome e desenvolver testes de diagnóstico a partir de amostras de sangue. Hoje, anos após o isolamento do vírus, o estudo da Aids mobiliza milhares de pesquisadores em todo o mundo. Ainda não há cura ou vacina capaz de prevenir a doença, e o tratamento com os coquetéis de drogas que aumentam a sobrevida dos pacientes ainda precisa ser aprimorado. O coquetel anti-AIDS, atualmente, permite que portadores do vírus possam ter uma vida quase normal. Já foram registrados casos de pacientes que pararam de tomar o coquetel de remédios por até 14 meses sem agravar suas condições. Isso abre perspectivas de uso mais moderado das drogas, que ainda tem muitos efeitos colaterais.
Testes clínicos de uma vacina contra a AIDS estão sendo realizados no Quênia. Há ainda um longo caminho a percorrer: no melhor dos casos, a vacina estaria pronta em oito anos. É muito tempo para um continente como a África, onde o vírus se alastra de forma incontrolável. O governo anunciou a importação de 300 milhões de preservativos, mas encontrou forte resistência de líderes cristãos e muçulmanos, que condenam a contracepção e pedem que se promova mais fortemente a abstinência.

HPV encontrado em tumores malignos

A outra metade do Nobel reconhece os esforços do alemão no estudo que começou em 1974, mostrou que o câncer de colo do útero, o segundo mais comum entre mulheres era causado pelo vírus HPV.
Harald zur Hausen explicou que esse vírus poderia estar por trás dos casos de câncer. Em um estudo a partir de células retiradas de tumores malignos do colo do útero foi possível identificar DNA viral integrado ao genoma das células cancerosas. Após mais de dez anos de pesquisa para comprovar essa hipótese, o alemão acabou demonstrando, no início dos anos 1980, que o vírus levava ao câncer.
A descoberta permitiu entender os mecanismos de surgimento do câncer ligado ao HPV e os fatores que predispõem ao desenvolvimento desses tumores. Com isso, foi possível desenvolver vacinas para combater esse tipo de câncer, que afeta hoje 500 mil mulheres em todo o mundo. Dados de 2009 da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam o câncer de colo de útero como principal causa de morte no Brasil, na faixa etária de 15 a 44 anos, quando comparados a outros tipos de câncer. A vacina chega a custar R$ 1,5 mil na rede privada. São necessárias três doses para garantir a proteção.
No dia 30 de setembro, 1.700 alunas de escolas públicas e privadas de Barretos – SP começaram a ser vacinadas gratuitamente contra o HPV. A iniciativa foi do Hospital de Câncer de Barretos, que idealizou a campanha. Serão vacinadas alunas matriculadas nas 6ª e 7ª séries do ensino fundamental das escolas públicas e particulares do município. Todas vão receber a vacina quadrivalente contra o HPV, a única vacina que protege contra o vírus.

Texto produzido com base na matéria publicada na revista Ciência Hoje de Janeiro de 2008.

Amazônia está entre os maiores emissores de gases-estufa

A floresta amazônica é uma das maiores reservas de carbono do mundo. Grande parte dessa contenção deve-se à quantidade de biomassa vegetal existente na região, uma vez que as plantas são responsáveis por uma considerável parcela de absorção do gás carbônico presente no ar. Porém, como resultado das inúmeras queimadas (naturais ou criminosas) que acometem a Amazônia, o carbono tem sido expelido em doses nocivas ao meio ambiente.

Em números, 75% das emissões de gás carbônico no Brasil são atribuídos à mudança do uso da terra e florestas, ou seja, zonas florestais desmatadas para fins como pecuária e agricultura. O país, aliás, é uma das últimas grandes reservas de terras agriculturáveis do mundo. Dos 106 milhões de hectares que poderiam ser transformados em áreas agrícolas, 90 milhões são áreas não ocupadas, e 16 milhões são áreas já utilizadas e improdutivas. Uma eventual conversão desse território natural em lavouras, poderia resultar em uma liberação sem precedentes de poluentes.

Esses fatores, aliados à poluição industrial, sobretudo, contribuem maciçamente para a aceleração do aquecimento global. O equilíbrio dos gases que causam o fenômeno vem sendo alterado por ações humanas, o que torna seus efeitos no planeta imprevisíveis.

Além dos gases lançados na atmosfera durante o processo de queima, a floresta os emite, ainda, após a remoção da madeira derrubada e/ou queimada. Nessa fase, a matéria orgânica presente no solo é lentamente degradada e, junto com os gases, é liberada.

No entanto, essa emissão desenfreada de CO² não se restringe somente ao Brasil. Os países desenvolvidos (EUA e Europa) ainda são responsáveis pela maioria dos envios globais de gases-estufa. No ranking da queima de combustíveis fósseis, o país ocupa a 20ª posição. Mas, se for considerado apenas o carbono emitido a partir das queimadas e desmatamentos, figuramos entre os seis primeiros.

Pesquisadores estimam que seja necessário um aumento no número de estudos acerca dos estoques e fluxos do carbono durante as modificações em ambientes florestais. Tanto é, que existem diversas incertezas em relação aos envios de gases. A densidade da madeira, que pode variar de um local para outro, e sua consequente taxa de emissão, é um exemplo.

Apesar do esforço dos cientistas, não é possível apontar com precisão qualquer tipo de número relativo à parcela de “culpa” da Amazônia no quadro atual do aquecimento global.

Giulianno Olivar

Matéria produzida a partir da reportagem "Amazônia e o aquecimento global", publicada na revista Ciência Hoje, edição de julho/2009.

Chaperonas: as estrelas no processo de digestão alimentar

Depois que ingerimos um alimento, damos início ao processo de síntese das proteínas em nosso organismo. Durante a digestão, essas moléculas passam por um processo de enovelamento, ou seja, assumem uma forma específica. Algumas proteínas, que possuem um tamanho maior do que o normal, dependem da ajuda das “chaperonas”, moléculas que auxiliam a proteínas a se enovelar. Dessa forma, as chaperonas acabam agindo como verdadeiras damas de companhia das proteínas que estão em processo de formação.
O termo chaperon deriva-se da língua francesa que se dirigia às damas de companhia que acompanhavam jovens moças solteiras, durante passeios, até que encontrassem um bom pretendente. Partindo desse raciocínio, as chaperonas moleculares atuam evitando a interação das moléculas que compõem as proteínas, com outras que também estão presentes no processo de digestão e que têm o poder de atrapalhar o processo de enovelamento das proteínas. A atuação das “damas de companhia” no processo de enovelamento das proteínas de grande porte, submetidas à estresses fisiológicos, fazem com que as chaperonas assumam papel de grande importância nos estudos sobre estresse em geral.
Para o bom funcionamento das proteínas, elementos essências no corpo humano, é necessário que estas adquiram uma estrutura espacial bem definida, mesmo submetidas às variações do meio. E ainda, que sejam solúveis durante a digestão do alimento. Um bom exemplo para simplificarmos o processo de enovelamento de uma proteína, é pensarmos em um colar de pérolas que necessita ser dobrado, fazendo com que a primeira pérola esteja próxima a 36ª, a segunda esteja próxima da 284ª e assim sucessivamente, até atingir a forma final. Ou seja, podemos dizer que as pérolas representam os aminoácidos presentes nas proteínas. Durante o enovelamento, as pérolas (aminoácidos) deve fazer contato com outros aminoácidos até assumir a estrutura final.
Segundo estudos feitos em laboratórios, as proteínas têm a capacidade de se enovelar sem a ajuda de outros componentes, devido à aversão que as “pérolas” possuem quando estão em um ambiente aquoso. Os aminoácidos são hidrofóbicos, por isso preferem fazer contato entre si, excluindo as moléculas de água. Porém, algumas proteínas, principalmente as maiores, têm dificuldade para se enovelar. Principalmente em um ambiente de alta temperatura.
As chaperonas moleculares agem sozinhas ou integradas a diversas famílias de chaperonas que auxiliam entre si, para um melhor funcionamento das proteínas-clientes. Entre as famílias, podemos destacar uma, que possui papel central na formação final das proteínas durante a digestão: A Hsp 70. Essa família de chaperonas atua no recebimento de proteínas-clientes de outras chaperonas e na entrega dessas proteínas a outra “família”.
Além disso, as chaperonas são elementos fundamentas no combate a doenças como da Vaca Louca, mal de Alzheimer e Parkinson, que são decorrentes da má formação estrutural no arranjo final das proteínas.

Salvem as chaperonas!

Andressa Oliveira

Matéria produzida a partir de reportagem “As damas de companhia das proteínas” publicada na revista Ciência Hoje.

Desvendando os mistérios do autismo

Imagine uma criança bonita e saudável, porém, isolada, distraída e sem vontade de se relacionar. Se você conhece alguém que seja assim, provavelmente conhece um autista. Isso, ao menos, é o que tudo indica. Algumas crianças apesar de autistas apresentam inteligência e fala perfeitas, outras apresentam retardo mental, mutismo ou importantes retardos no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes.
Desde que o autismo foi descrito pela primeira vez, em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, vários estudos já foram feitos sobre essa doença, mas ela ainda é um enigma para a ciência. Muito já foi falado e especulado, mas não se tem bem ao certo as causas dessa desordem. Fora da genética, não é conhecido possíveis causas cientificamente viáveis para o autismo. “ Os fatores genéticos respondem por 90 % das causas para a doença”, explica o neuropediatra Leonardo de Azevedo. Os outros possíveis fatores não são conhecidos, e podem ser, por exemplo, resultado de problemas durante a gravidez, como rubéola, toxoplasmose e acidentes.
Um fator que prejudica ainda mais os estudiosos do assunto é que não há apenas um gene relacionado ao distúrbio, mas vários, o que dificulta o trabalho dos cientistas. “ O envolvimento de múltiplos genes pode responder por mais de 90% dos casos de propensão para o autismo”, explica Azevedo. Entre os genes candidatos estão dois responsáveis pelo metabolismo da serotonina, que tem papel na regulação do sono, apetite e da produção de hormônios. Entre eles, a descoberta de um está gerando efeitos mais concretos. Trata-se do gene responsável pelo controle da produção da oxitocina, um hormônio relacionado ao sistema reprodutor feminino, apelidado de ‘hormônio do amor’ e da ‘confiança’ graças a seu papel nas relações interpessoais e nos comportamentos afetivo. A oxitonina tem sido analisada em vários países por seu potencial de tratamento de alguns comportamentos autistas, como a ausência de contato visual e dificuldade de relação com outras pessoas. “Alguns estudos já comprovaram que pessoas com algum tipo de desordem do espectro autista têm menos oxitonina no sangue”, explica de Azevedo.
A oxitonina ainda está em fase de testes para o tratamento de sintomas de autismo. Por enquanto, o tratamento para o distúrbio passa por varias áreas médicas, e o grau de efetividade depende da idade em que é iniciado. A cura, entretanto, está longe de ser descoberta. “ Não sabemos de uma causa especifica para o autismo e, até que isso seja conhecido, será difícil falar de cura”, explica o psicólogo Ami Klin. “ No entanto, há tratamentos comportamentais bastante efetivos que podem ajudar crianças e adultos a superar dificuldades”. Para Klin, o objetivo com esses tratamentos, em sua maior parte sem utilizar medicamentos, não é curar, mas ajudar os portadores dessa desordem no seu relacionamento com os outros.
É difícil dizer qual o melhor tratamento para se tratar do autismo, principalmente porque elas são muito variáveis. Há crianças autistas que simplesmente não falam; outras repetem a mesma frase fora do contexto muitas vezes; há aquelas que não demonstram interesse por absolutamente nada, e outras que escolhem um assunto especifico para se aprofundar. De fato, há uma gama muito grande no autismo. Por isso, tanto psicanalistas como outros médicos e pediatras concordam que o melhor é um tratamento individualizado, de acordo com as limitações apresentadas por cada pessoa.
Como um dos principais sintomas do autismo é a dificuldade de se relacionar e de se comunicar, torna-se um duplo desafio para pais, médicos, neurologistas e psicólogos diagnosticar e tratar crianças que apresentam esse comportamento.
O que, tal qual outras doenças, o diagnóstico precoce é vital para um melhor tratamento. No Brasil, por exemplo, ainda há muitos casos de diagnóstico tardio, o que faz a criança ser tratada de maneira errônea, causando ainda mais estragos em sua vida.
É consenso geral entre os cientistas: quanto antes for feito o diagnóstico do autismo, mais fácil e eficiente é o tratamento e, por conseguinte, a melhora.

Esta matéria foi produzida com base na reportagem publicada na revista Ciência Hoje, edição maio de 2010

Infecções parasitárias pré-históricas




Descobrir a origem e a evolução das infecções parasitárias, por meio de informações obtidas pela identificação e análise de vestígios de parasitos em material arqueológico e paleontológico, é o objetivo da paleoparasitologia. Essa ciência permite saber mais sobre a história das doenças e da medicina, sobre as migrações humanas e sobre a vida dos nossos antepassados.
O bacteriologista inglês Marc A. Ruffer deu início a paleoparasitologia no século 20. Ele encontrou ovos de parasitos em múmias egípcias e pode determinar doenças que atingiam até faraós. Os achados só se multiplicam após a introdução de novos métodos de reidratação de material extraído de antigas fossas, nos anos 60.
Houve um grande avanço no diagnóstico de infecções parasitarias do passado com o uso de técnicas desenvolvidas pela biologia molecular. Essas técnicas são capazes de detectar fragmentos de genes de parasitos em arqueológicos, como ossos conservados pela mumificação natural ou artificial.


Análise de material e restos orgânicos
A paleoparasitologia enfrenta um problema: a identificação da origem zoológica do material examinado. As fezes fossilizadas encontradas nos sedimentos arqueológicos, por exemplo, podem ter sido produzidas por humanos ou por animais.
Em outros casos as fossas e locais de depósito de dejetos usados em tempos medievais na Europa, podem conter fezes humanas, de seus animais domésticos e de pequenos animais silvestres que circulavam em torno de moradias. Sendo assim, é preciso saber separar o material de origem humana daquele proveniente de outros animais.
Estudos estão contribuindo para a solução do problema. Na Universidade de Reims, na França, técnicas de biologia molecular foram usadas nas primeiras tentativas de diagnóstico e separação de espécies em material arqueológico. No Brasil, a equipe do Instituto Oswaldo Cruz que trabalha com DNA ancestral em conjunto com o Laboratório de Paleoparasitologia, vem desenvolvendo um método que poderá separar as duas espécies por meio de análises genéticas.

Parasitos em populações das Américas
Os resultados dos estudos feitos na Europa mostram que a abundância de ovos de vermes intestinais, principalmente A. lumbricoides e T. trichiura, aumentou à medida que as cidades e suas populações cresceram sem cuidados sanitários adequados.
Nas Américas, os estudos revelam duas situações distintas. Nos locais em que os americanos nativos formavam aglomerações ou nas grandes cidades astecas e incas, a transmissão das infecções parasitárias era muito fácil, e mais ovos são encontrados. Já entre os povos nômades, ocorria o contrário.

Indígenas infectados
Estudos em grupos de indígenas da atualidade revelam que eles ainda mantêm hábitos alimentares ancestrais, envolvendo duas comunidades tradicionais, os xavantes da aldeia Pimentel Barbosa, em Mato Grosso. E os suruís da Terra Indigena Sete de Setembro, na divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso, entre Cacoal (RO) e Aripuanã (MT)
O contato dos xavantes com a sociedade não indígena tornou-se permanente nos anos 40. Com o tempo, esse contato provocou diversas alterações na vida indígena, como o aumento da mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias. A caça é um elemento fundamental na cultura dos xavantes, assim como os suruís.
Muito dos animais capturados são hospedeiros naturais de parasitos, incluindo vermes intestinais. Portanto é comum encontrar parasitos de animais nas fezes desses grupos indígenas. Ovos de parasitos de animais já foram encontrados em material arqueológico humano nos Estados Unidos e na Europa.

Verônica Barbosa

Texto produzido com base na matéria publicada na revista Ciência Hoje de Janeiro/Fevereiro de 2008.

Cultivo de bacuri gera lucros para a região amazônica

Você já comeu bacuri ou algo derivado dela? Ao menos sabe o que é? Sabe para que serve?

Vamos começar explicando que bacuri é uma fruta de gosto agridoce muito conhecida e cultivada na região amazônica. Atualmente o consumo da fruta tem aumentado e o mercado em ascensão pode fazer com que recupere áreas desmatadas através do cultivo e manejo da planta, o que também significa gerar empregos.

O que pode explicar uma procura tão grande, é que além do bacuri ser rico em potássio, fósforo e cálcio, ela pode ser usada na produção de geleias, sorvetes, doces e licores. A casca também pode ser aproveitada, e das suas sementes pode ser extraído um óleo utilizado para a produção de anti-inflamatórios e cicatrizantes.

Sua árvore pode chegar até 40 metros de altura e, segundo registros, a madeira do bacurizeiro foi mais procurada em 2009 do que a própria fruta. Ela é resistente e pode ser usada na construção de casas e embarcações.

Antes conhecida como “comida de mato”, agora o consumo de Bacuri toma grandes proporções e segue o mesmo caminho que outras frutas provenientes da Amazônia, como o Açaí.

relatos históricos que se referem à fruta. Um deles é o do padre jesuíta João Daniel, preso em Portugal no período de caça aos jesuítas. Na prisão, escreveu : “A fruta bacuri posto que tenha seus senões , também merece sua menção, pelo seu excelente gosto. . A sua árvore é famosa de grande, e também o fruto é bom de tamanho... Tem a casca grossa, e para dar a casca, e se abrir a fruta, quer maço, ou requer se dar com ela em uma pedra, ou pau; ...porque tudo são caroços vestidos ou revestidos de uma felpa por modo de algodão muito alva... é esta uns gomos da mesma massa, que serve de divisão aos caroços.”

Entre tantos, outro fato histórico do qual se tem registros sobre a fruta, é o da visita ao Brasil, em 1968, da rainha Elisabeth II, quando ela se encantou com o sabor do sorvete de bacuri e fez diversas encomendas posteriores.

Embora a coleta dos frutos seja feita na maioria das vezes em bacurizeiros que crescem naturalmente, a espécie tem sido cultivada por meio de mudas. São necessários alguns cuidados no manejo do bacurizeiro. As árvores têm que ser cultivadas a uma certa distância umas das outras, e deve ser feito roçagem nos primeiros anos de crescimento. Outro cuidado a ser tomado no cultivo da planta é manter as queimadas longe das plantações, já que o bacurizal é sensível ao fogo.

A formação de pomares manejados de Bacuri é uma importante alternativa para recuperar áreas degradadas nos estados do Pará, Piauí e Maranhão. Além disso, 20 mil ha destinado para a produção de bacuri podem render cerca de R$ 200 milhões anuais para a região, ainda reduzir problemas ambientais, gerar renda e empregos.

Fonte: Revista Ciência Hoje, Junho 2010.

Alguns benefícios e a dúvida sobre a sustentabilidade local

Os problemas ambientais, econômicos e sociais referentes à construção de usinas hidrelétricas no Brasil não é algo recente. Vários problemas têm sido associados aos empreendimentos de energia no país, entre eles a perda da biodiversidade animal e vegetal.
A maioria dos empreendimentos energéticos implantados na Amazônia, nos últimos anos, trouxeram benefícios (controle de cheias, irrigação, piscicultura e outros) que não se pode negar, entretanto os efeitos negativos (desestruturação de comunidades tradicionais, aumento na incidência de doenças, etc.) tiveram um impacto muito maior sobre a sociedade.
Em 2008 a energia elétrica brasileira ofertou 80% de geração hidrelétrica, 19,9% de termelétrica, contra somente 0,1% de energia eólica. Estes dados são do Balanço Energético Nacional, do Ministério de Minas e Energia. A geração de energia pelo meio “mais limpo”, ou seja, a geração de energia a partir da biomassa e dos ventos, corresponde a apenas 5,4%, já a energia “mais suja”, a partir de combustíveis como carvão e material nuclear chegam a um total de 94,6%.
Quanto à transmissão e distribuição da energia no Brasil, verifica-se que há uma perda excessiva comparada a outros países: em 2007 os desperdícios atingiram 20,28% do total gerado enquanto na União Europeia a média de perda dos países-membros chegou a 6,5%. Até mesmo em comparação com países latino-americanos o Brasil fica muito acima da média, no Chile as perdas são de 5,6%, na Argentina 9,9%, no Peru 9,9% e na Colômbia 11,5%, segundo dados fornecidos em outubro de 2008 pelo Tribunal de Contas da União.

Novas hidrelétricas a caminho
A construção de duas novas hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio) sobre o rio Madeira, em Rondônia, no município de Porto Velho, conseguirão que os empreendimentos injetem grande quantidade de energia, porém, trazem inúmeros transtornos sociais e ambientais. O custo inicial do projeto (incluindo as duas hidrelétricas) estima-se em R$ 18,4 bilhões. Logo no início da construção houve uma grande mortandade de peixes devido às obras no rio. Encontrou-se também um grupo indígena isolado em área próxima à usina de Santo Antônio que em pesquisas anteriores não haviam sido identificados. Outro problema seria a possibilidade de alagamentos na Bolívia, causados pelas barragens.
Quanto à questão econômica, os impactos nas populações das áreas afetadas pelos projetos são amplos. Em Porto Velho, a população economicamente ativa é de aproximadamente 159 mil pessoas, sendo que 31 mil estão desempregadas. Portanto, a implantação das hidrelétricas nessa cidade terá forte impacto no mercado de trabalho devido ao fato de que se estima uma migração expressiva (cerca de 100 mil pessoas) de trabalhadores, o que irá gerar maiores demandas por saúde, educação, transporte, moradia, segurança, etc.
Durante a construção, a mão de obra permanente será de 1,5 mil trabalhadores, e entre o primeiro e o terceiro anos está prevista a contratação de cerca de 15 mil trabalhadores temporários.
O instituto de pesquisa EIA/Rima estima que o pescado na região caia 50% nos cinco primeiros anos.
Em pesquisa feita pela bióloga, Adriana R. C. W. Barcelos, junto à população ribeirinha, verificou-se que: 91% das famílias disseram que não gostariam de deixar seu espaço, 61% reconheceu que não saberá o que fazer se tiverem que se mudar para a cidade e 81% afirmou não concordar com o projeto.
A violação dos direitos de indígenas, ribeirinhos, pescadores, moradores em geral das áreas onde ocorre a implantação de usinas hidrelétricas na Amazônia, como as duas citadas no rio Madeira, deixam várias dúvidas sobre a sustentabilidade socioambiental da região.
Pedro Pavan
Matéria produzida a partir de artigo publicado na revista Ciência Hoje, novembro de 2009.

Uma chance de cura para o diabetes

Uma cirurgia para quem sofre de diabetes tipo 2, decorrente de insuficiência na produção de insulina pelo corpo, já está sendo usada com sucesso no Paraná. A cirurgia é resultado de criação do biólogo Roberto Ferreira Artoni, do Departamento de Biologia Estrutural Molecular e Genética da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e do cirurgião Fábio Quirillo Milléo, do Instituto de Pesquisa Aplicada em Medicina de Ponta Grossa. O projeto tem 100% de remissão desde o seu início em 2005.
O diabetes tipo 2, ou síndrome plurimetabólica, diferente do tipo 1 que é autoimune, afeta pessoas com altos níveis de triglicerídeo e mau colesterol, hipertensão, obesidade e hiperglicemia. Esses fatores, combinados a uma vida sedentária, podem facilitar para que o diabetes tipo 2 se instale no organismo.
A cirurgia chamada de entero-omentectomia é produto de duas outras. A omentectomia e a enterectomia. A primeira extrai a gordura visceral adquirida pelo estômago e que é responsável pela produção de hormônios que podem prejudicar o bom funcionamento do organismo. Já a enterectomia, reduz o intestino delgado, assim o alimento chega mais rápido e em maior volume ao trecho final de intestino. Isso estimula a produção de peptídeos, são eles que regulam a secreção da insulina pelo pâncreas. A insulina é o hormônio que tem o papel de regular a glicose no sangue.
O projeto começou com o interesse do cirurgião Fábio Milléo sobre os resultados dos procedimentos com entero-omentectomia e redução de estômago. Os pacientes que procuram a cirurgia para redução do peso na maioria têm pressão alta e diabetes do tipo 2, além de triglicerídeos e colesterol em alta. Porém, logo após deixarem o hospital, passaram a ter padrões normais nos níveis de insulina e glicemia e a pressão passou a ser regular. Com isso, os medicamentos contra diabetes se tornavam desnecessários.
A ideia de realizar a cirurgia em pessoas que não precisavam perder peso veio do médico Roberto Artoni. Os dois médicos, reunidos com uma equipe multidisciplinar descobriram a técnica. O procedimento desenvolvido pelo grupo teve a aprovação da Comissão de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da UEPG e foi validado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep.
A síndrome plurimetabólica (diabetes tipo 2), tem 62 genes identificados. Os estudos agora são para saber como a cirurgia modifica a atuação desses genes no organismo. A meta da equipe é desvendar como se pode prevenir a doença.
A cirurgia em questão, segundo o Artoni, é resultado de um desenvolvimento cultural. Os alimentos que o homem consumia na pré-história eram naturais e absorvidos ao longo do processo digestivo. Com a mudança alimentar, os hábitos de se ingerir produtos industrializados acarretaram em uma fácil absorção pelas fases iniciais da digestão. Ou seja, o alimento da modernidade não chega á etapa final do ciclo digestivo, sendo assim, não liga o botãozinho que fabrica a insulina.
A recomendação é: alimentos naturais, com fibras e proteínas correm mais até a linha de chegada. E são eles que garantem que nosso corpo tenha a insulina suficiente para dar um “stop” nas taxas de glicose.


Larissa Sarturi
Texto produzido com base na matéria publicada por Helen Mendes na edição de agosto de 2010 da Revista Ciência Hoje.

Há vida em outros planetas?


Muitas pessoas olham para o céu e perguntam: Será que existe vida em outro planeta? A ciência cada vez mais intensifica seus estudos em busca da resposta. Já são conhecidos mais de 350 planetas extrassolares na via láctea. Seriam eles habitáveis? O sistema solar foi o único sistema planetário conhecido por muito tempo. As descobertas dos primeiros planetas a orbitarem outras estrelas foram anunciadas nos anos 1990. Eram planetas gigantes, como Júpiter, com massas equivalentes ou superiores a 300 vezes a da Terra. O desenvolvimento de instrumentos mais sensíveis, porém, permitiu detectar planetas menores, e, em 2006, foram descobertos planetas do tipo terrestre, ou seja, com massa inferior a oito vezes a da Terra. Poderiam estes planetas oferecer condições favoráveis ao estabelecimento da vida, como a conhecemos? Para estudar a possibilidade de vida em um exoplaneta(ou planeta extrassolar), a astrobiologia usa o conceito de zona habitável, definida como a região ao redor da estrela , onde as condições físicas favorecem a existência de água no estado líquido na superfície do planeta. A zona habitável depende do tipo de estrela e, portanto, dos parâmetros estelares, como luminosidade e temperatura. Depende ainda das condições planetárias, dadas pela dinâmica do planeta, como taxas de intemperismo, concentração atmosférica de gases de efeito estufa, bem como a razão entre área continental e a área oceânica. Recentemente foi descoberto exoplanetas potencialmente habitáveis ao redor da estrela Gliese 581, produzindo futuros alvos para missões de detecção de sinais de vida fora da terra e nos oferece um novo olhar sobre o nosso planeta. Para caçar estes exoplanetas, são utilizados instrumentos na terra e dois satélites nem órbita. Eles acompanham o movimento das estrelas. Água é essencial para a vida humana, e para determinar se um exoplaneta pode oferecer condições adequadas para a existência de água no estado líquido, é necessário saber a temperatura média global, que depende de variáveis como albedo(medida relativa da quantidade de luz refletida, o que ocorre sobre superfícies de maneira direta ou difusa.),taxas de intemperismo(são efeitos permanentes que produzem materiais totalmente distintos entre si e da rocha original: os solos, que permanecem no local onde se formam, e os sedimentos, que são movimentados pelos agentes de erosão.) e composição química da atmosfera. Outra necessidade para o exoplaneta ser habitável, é o gás carbônico. Junto ao vapor da água, e o metano, é um gás de efeito estufa. Estes gases mantêm as temperaturas da superfície em níveis adequados à nossa sobrevivência. Se eles não existissem, as temperaturas seriam altas de dia e baixíssimas à noite. Ao que tudo indica, o primeiro exoplaneta descoberto na órbita da estrela Gliese 581, pode ser uma “superterra”, com massa oito vezes superior à terrestre, e localizado a 20 anos-luz do sol. Os cálculos feitos por cientistas indicam que é uma zona habitável e, apesar das esperanças, nada garante que existe vida no local. A ciência avança rapidamente na descoberta de um novo planeta. Estudos estão sendo feitos, e quem sabe daqui alguns anos o que antes parecia utopia, pode vir a acontecer, e poderemos habitar outro planeta.


Daniel Bueno
Esta matéria foi produzida com base em artigo publicado na Revista Ciência Hoje, edição janeiro/fevereiro de 2010

O universo das lentes gravitacionais

O que são lentes gravitacionais? Quem nunca sonhou em descobrir o que se estende ao longo do universo, perdido no meio da escuridão? Galáxias, novos planetas e seres que possam corresponder às pessoas do Planeta Terra? Ou extraterrestres, óvnis, monstros e buracos negros capazes de engolir até mesmo o Sol que nos ilumina? E quantos sóis mais há de existir? Todas as respostas estão nos estudos gravitacionais.
Os fundamentos da área de lentes gravitacionais existem há 90 anos, quando se mediu pela primeira vez a deflexão da luz através de um campo gravitacional. Com base nestes estudos, descobriu-se que através delas era possível enxergar objetos muito distantes, detectar matéria invisível, sondar o universo em grande escala e descobrir novos planetas. O estudo das lentes gravitacionais foi modificando-se ao longo do tempo, conforme a visão de cada pesquisador. Os primeiros cálculos feitos sobre o desvio da luz pela gravidade datam do século 18, e foram refeitos, em 1911 pelo alemão Albert Einstein, não sendo ainda o cálculo correto.
No campo da ciência, as grandes descobertas tem um caminho pedregoso e árduo, fazendo com que o desvio da luz, medido durante um eclipse total do sol, fosse medido corretamente só em 1919 por equipes britânicas. Mas o que seriam estes desvios de raios de luz? É um fenômeno semelhante ao da luz ao atravessar uma matéria como água ou vidro. Nele, a luz emitida é semelhante ao de uma lente, alterando as formas que estão atrás da dela. Este fenômeno leva o nome de lente gravitacional.
Você, que está na frente de seu computador, pode ser uma lente gravitacional, desviando dos raios de luz que passam perto de seu corpo, agindo como uma lente. Porém, para que isto aconteça, é preciso que a fonte emissora de luz, a lente e o observador estejam a grandes distancias um do outro.
As lentes gravitacionais, diferente das lunetas e óculos, produzem imagens múltiplas e distorcem sua forma, dando origem às miragens gravitacionais. Este fenômeno, também pode dar origem à anéis, chamados anéis de Chwolson-Eisntein, pois Chwolson também era pesquisador das lentes gravitacionais e desconhecido por Einstein.
Para Einstein, não havia muitas possibilidades de se observar o fenômeno, pois, para que ela aconteça, é preciso que a fonte (a estrela mais distante), a lente (a estrela mais próxima) e o observador (a Terra) estejam em alinhamento perfeito.
No ano de 1937, o suíço Fritz Zwicky, divulgou um trabalho em que as lentes gravitacionais eram estudadas galáxias por galáxias, fazendo com que as massas e as distancias envolvidas fossem maiores e os efeitos observados diretamente. Para ele, as lentes poderiam ser usadas em três aplicações: como telescópios gravitacionais, como medidor da massa das galáxias e conglomerados ou para testar a relatividade geral.
O efeito das lentes é maior quanto maior for a massa da lente e as distancias entre elas. Já, se a lente for pequena e a distância curta, o efeito é uma separação angular equivalente a uma divisão de um grau em um bilhão de partes iguais. Porém, esta separação não pode ser detectada nem com as mais avanças tecnologias, explicando o porquê de não vermos estrelas duplas fictícias no céu. No entanto, é possível perceber este efeito através do brilho das estrelas, que se intensificam quando o fenômeno acontece, gerando a microlente gravitacional. Agora, se este efeito é aplicado a galáxias, a separação das imagens pode ser detectada por arcos ou anéis, dando o efeito das macrolentes gravitacionais.
Nas três últimas décadas tivemos inúmeras descobertas com as lentes gravitacionais, que hoje são usadas para sondar o universo. Para que este conhecimento sobre lentes seja passado adiante, é necessário que haja um mapeamento da matéria em grandes escalas do universo e fazer imagens de alta resolução do céu. O Dark Energy Suvey, que estuda as lentes gravitacionais colherá seus primeiros dados científicos em 2012, possibilitando a descoberta de inúmeros novos arcos gravitacionais. Em um futuro mais distante, grandes telescópios de levantamentos sinópticos, poderão mapear áreas maiores que o Dark, levando a descoberta de milhares de arcos.
O precedente disto é observar as lentes a partir do espaço, começando uma era de aplicações gravitacionais em quase todas as escalas astrofísicas.

Juliane de Freitas
Matéria produzida a partir do artigo de Martín Makler, publicado na revista Ciência Hoje, edição de outubro de 2009.