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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Meio ambiente e ciência em foco no blog Curupira

Claudio Angelo é autor de A Espiral da Morte
como a humanidade alterou a máquina
do clima (2016).
O blog Curupira é de autoria de Claudio Angelo, de 41 anos, jornalista de "deformação", conforme ele mesmo se autointitula. 
Brasiliense de adoção, nascido na Bahia e radicado em São Paulo por quase 20 anos, Claudio teve a ideia de escrever e formar o Curupira a partir do convite de Carlos Hotta, blogueiro de ciência que participava de um evento em comum.
O público alvo do blog,segundo o autor, é a sua mãe e os leigos em ciência e ambiente, embora não consiga atingi-los sempre. O tema geral do blog é o meio ambiente, mas é possível encontrar um pouco de outros assuntos no blog como, por exemplo, a política. 
A página se encontra no domínio Science Blogs e tem um layout característico de blog, limpo e com poucos recursos, as postagens em geral contém uma foto principal e o texto logo abaixo, conta também com uma breve apresentação do autor e não tem contatos do mesmo.
O blog está no ar desde 2012, e sua última publicação foi em 21 de dezembro de 2016. A razão do nome de Curupira para o blog é em relação à entidade protetora das matas. O autor conta que nunca teve uma periodicidade nas publicações e que esteve meio afastado devido a conflitos com seu trabalho atual, “Trabalhei por alguns anos numa agência de relações-públicas com vários clientes que eu não poderia criticar no blog, então, achei melhor me manter sem publicar. Agora trabalho numa organização ambientalista, então, tenho também conflito de interesse”, relata Angelo. O autor ainda ressalta que o espaço do blog é muito importante, que precisa ser bem ocupado, e que ainda pretende voltar a escrever com certa frequência.
           Claudio Angelo é um dos mais respeitados jornalistas de ciência do país, e passou os últimos quinze anos acompanhando debates em torno das mudanças climáticas. Recentemente lançou o livro “A Espiral da Morte - como a humanidade alterou a máquina do clima (Companhia das Letras, 2016)”.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Um universo por descobrir

Natural do Rio de Janeiro, Thiago Xavier, 32, reside atualmente em Portugal. Formado em Engenharia de Computação e Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2013, realizou sua especialização em Marketing Digital. “Após cerca de sete anos de experiência no mercado de Tecnologia da Informação (TI), percebi que não estava satisfeito com essa carreira. Foi então que tive algum contato com práticas de Marketing Digital, o que acabou me despertando interesse em seguir por essa área”, comentou o blogueiro que alimenta o "Blog da Ciência: Um universo" por descobrir desde o dia 8 de outubro de 2011, data em que publicou seu primeiro artigo.
 O blogueiro enfatizou que sempre se interessou pela ciência. “Depois de ler o livro Big Bang, de Simon Singh, passei a ter mais contato com essa parte de divulgação científica, o que me levou a criar o blog como forma de compartilhar conhecimento”, disse Xavier. 
Curiosamente ou não, o conteúdo publicado tem um significado muito particular do proprietário> Geralmente a escolha dos temas para as publicações vem do seu próprio interesse em saber mais sobre determinado assunto, assim como o anseio de querer compartilhar o aprendizado adquirido com o maior número de pessoas possíveis.Às vezes o seu interesse coincide com notícias que estão em alta, como foi o caso do artigo sobre ondas gravitacionais, cujo conteúdo não foi produzido por Xavier. O blogueiro apenas fez algumas sugestões no texto, até mesmo por não existir um calendário de publicações. Segundo ele, no blog só entram textos maiores, que exigem certa pesquisa ou tempo de leitura. “Raramente publico notícias lá. Nas redes sociais (Instagram, Facebook e Twitter) público um resumo das notícias de ciência toda semana, mas, alimentar uma plataforma voltada para a área científica exige certa cautela e muito estudo”, enfatizou o engenheiro que não possui o auxílio de nenhum jornalista na construção dos textos. 
Conforme Xavier, hoje o blog tem uma “cara” profissional e um domínio legal (blogdaciencia.com). Mas quando iniciou esse trabalho, o endereço era (oblogdaciencia.blogspot.com), no Blogger. Só depois de um tempo que o trabalho foi crescendo e, então, ocorreu essa mudança. Ele também falou sobre a existência de um grupo fechado no Facebook onde discute sobre vídeos e notícias, e onde os membros podem divulgar seus projetos relacionados à ciência.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Entrevista com Cláudia Chow, blogueira do Ecodesenvolvimento

Claudia Chow é geóloga. Foto:arquivo
 pessoal
Recentemente realizei uma entrevista com a blogueira, geóloga e ambientalista, Cláudia Chow. Cláudia escreve no Ecodesenvolvimento, um dos blogs da plataforma "ScienceBlogs". O blog trata de temas como desenvolvimento sustentável, aquecimento global, marketing verde, energias renováveis, dentre outros. Confira a entrevista com a blogueira:

 Quando e como surgiu a oportunidade de criar o blog no ScienceBlogs?

 Chow - Escrevo o blog desde fevereiro de 2007, ou seja, o blog acabou de completar 10 anos. Em 2008, o Carlos Hotta e o Atila me convidaram para integrar o então Lablogatórios, que logo depois se tornou o Science Blogs Brasil. Logo que surgiu o convite tive dúvidas se meu blog se encaixava na temática ciência, mas Carlos e Atila me disseram que o meu blog tinha uma pegada mais técnica que outros blogs ambientais e por isso me convidaram. Acabei topando o desafio de integrar o primeiro condomínio de blogs científicos do Brasil. Aconteceu uma migração do meu então blog no blogger para a plataforma deles e desde então meu blog faz parte do Science Blogs Brasil.

O seu blog tem bastante credibilidade, o que te proporcionou a oportunidade de inaugurar a primeira antena 3g no Pará, além de conhecer a reserva natural da Fundação o Boticário. Gostaria que você falasse como surgiram estas oportunidades e também comentasse brevemente sobre estas experiências?

 Chow - Sinceramente não tenho muita certeza de como esses convites aconteceram. Simplesmente, um belo dia, chegou um convite na minha caixa postal e foi um prazer participar de todos essas oportunidades. Acredito que os organizadores desses eventos tenham feito alguma pesquisa e me encontraram. No caso da Vivo eu tinha participado meio que involuntariamente de uma ação deles no programa Aprendiz. Não sei se isso contou pontos ou não. E no caso da Fundação Boticário, a ação foi organizada pela Agência Pólvora. Eles de certa forma sempre foram próximos do pessoal do Science Blogs e tinham os blogs sempre no radar. Vale lembrar que essas ações foram realizadas numa época em que sustentabilidade e meio ambiente estavam mais em evidencia e era um assunto mais na moda. Hoje acho que a temática sustentabilidade deu uma guinada para empreendedorismo social, empresas sociais, etc.
Ambas experiências foram incríveis e bastante diferentes, mas a possibilidade de conhecer a Amazônia e uma realidade completamente diferente da minha foi única. Aprendi muito com essa viagem, com as pessoas que conheci lá e as experiencias que ela me propiciou.

Você acha que com a ascensão da internet e uma consequente maior divulgação da Ciência e dos problemas ambientais, houve uma significativa conscientização da população, ou acha que ainda muito a melhorar neste sentido?

 Chow- A ascensão da internet com certeza ampliou as possibilidades de divulgação de ciência e dos problemas ambientais, mas a conscientização da população ainda está longe do ideal. Talvez elas estejam até mais conscientes, mas ainda muito perdida com a quantidade de informação disponível. Elas ainda não sabem como agir. Gosto de acreditar que temos uma longa caminhada, e como caminhamos em bando,  o andar é mais lento que o possível.

XisXis, onde o jornalismo e a ciência dialogam



Isis Rosa N. Diniz. Foto: Blog Xis Xis


            O blog Xis Xis foi criado em abril de 2008 pela jornalista pós-graduada em divulgação científica Isis Rosa Nobile Diniz. Bem humorada, ela sinaliza que " a ciência também é coisa de mulher". Para isso nada melhor do que ser a mulher o foco do tema das matérias. O blog se direciona à “ciência da mulher” e as matérias são todas relacionadas ao gênero feminino. Matérias especiais sobre o dia da mulher, dicas de parto e pós-parto, explicações e curiosidades sobre a cesariana, entre outras.
Em contato com  Isis Diniz, também pela via do on line - uma breve entrevista evidencia o processo de criação e alimentação do blog.

Como surgiu a ideia do Blog?
 Isis Diniz - Na verdade, eu sempre gostei de ciência. Sempre me interessei desde criança (meu pai, algumas tias e tios são pesquisadores). Como frequentei muitos museus e li revistas e artigos científicos desde a infância, cresci com a capacidade de traduzir essas informações para meus amigos. E sempre vi a ciência como algo muito mágico que desvendava este mundo tão curioso. Ela me dava as explicações que eu necessitava para entender algumas coisas da vida e da vida material. Na faculdade, meus colegas brincavam que eu deveria estar estudando biologia - e não jornalismo. Só que optei pelo jornalismo, justamente, para passar as informações para outras pessoas. Afinal, tenho facilidade em escrever, em discorrer e, principalmente, em apurar.
Bom, durante a faculdade e logo após formada, trabalhei como apresentadora de televisão (de programas de música), como assessora de imprensa e em publicações sobre arquitetura (decoração, light design, engenharia) e sobre moda e comportamento. Sempre que possível, eu me baseava em explicações científicas (seja por meio de artigos ou entrevistando pesquisadores) para fazer minhas matérias, para ser o fio condutor delas ou como argumentação.
 Aos 25 anos, eu trabalhava na Editora On Line editando publicações sobre decoração. Fui uma das repórteres da revista Casa & Decoração, ajudei a fazer o projeto editorial. Aproveitei a ocasião para inserir uma coluna sobre meio ambiente (sempre evitando o greenwashing). Mas aquilo não me satisfazia mais. Estava descontente. Queria, mesmo, era falar sobre ciência. Viver disso. Aí, decidi pedir demissão, criei o blog, iniciei uma pós em divulgação científica na ECA/ USP e procurei freelas e empregos na área de ciência e de meio ambiente (que vejo como ciência). O blog ajudou a minha carreira e as matérias que eu fazia me auxiliavam a alimentar o blog. Ele virou meu portfólio e meu xodó.

 Como surge as "ideias" das matérias? 
Isis Diniz -Do cotidiano. Do que eu vivo. Do que eu leio, estudo, do meu trabalho "formal". Gosto de manter aquela ideia "antiga" de que blog é uma espécie de livro de recordações (um diário) onde escrevemos o que vivemos, o que sentimos, o que pensamos. Vejo como uma forma de desabafo. De compartilhar ideias e emoções

·       Para você, qual importância do jornalismo científico nos nossos dias?
I    Isis Diniz - Ele é completamente necessário e relevante. Embora estejamos vivendo um momento em que o jornalismo (de apuração) esteja encolhendo, em pior situação está o jornalismo científico. Ele é fundamental para a manutenção da nossa democracia. Antes, eu acreditava que existia uma separação entre o jornalismo e o jornalismo científico. Mas um bom jornalista sabe escrever sobre todos os temas (claro que, quando a gente se especializa em um, temos mais capacidade em analisar o que é abordado - e menos chance de ser enganado). Portanto, o jornalismo em si é fundamental para contar para a sociedade o que há de descobertas na área da ciência (conhecimento é poder), para questionar pesquisas, pesquisadores, instituições, políticas científicas, etc. Aliás, podemos até dizer que ele é uma maneira de incentivar que o governo e organizações continuem e façam investimentos na área. Também tem uma função de educação científica mostrando para as pessoas (principalmente para os jovens) que o trabalho na área científica é importante para toda a sociedade.

·      E qual a importância de um blog que trate do assunto? 
    Isis Diniz - São muitos os papéis. Ele é uma maneira de falar diretamente com o leitor. É bom para mostrar uma abordagem diferente, complementar ao ensino formal ou até mostrar os bastidores da ciência e do próprio jornalismo científico. Tem a função de ser uma coluna de opinião sobre o tema científico, o que ajuda o leitor a poder ver um mesmo tema ser abordado por ângulos diferentes. Também é uma maneira de "guerrilha", onde lutamos para mostrar que a ciência é relevante e deve continuar sendo.

    Qual a importância de tratar sobre a ciência da maternidade, tema presente no Xis Xis? 
    Isis Diniz -Vivemos algumas mudanças na questão da maternidade. Ao longo da história, é natural que a criação adapte e se adeque aos valores atuais. Porém, a maternidade em si carrega a essência da ciência: ela está sempre em transformação e uma descoberta não necessariamente é uma verdade final sobre algo. Para somar a isso, algumas colocações são opostas a outras ambas tendo, muitas vezes, base científica. Para piorar, há muitas inverdades (informações sem origem científica) sendo transmitidas ou transmitidas de maneira que beneficie um grupo (de profissionais). Além disso, é comum médicos e outros profissionais da área sonegarem informações importantes ou não explicarem de maneira clara. Dado todo esse quadro, a ciência da maternidade é fundamental para esclarecer a sociedade sobre informações básicas da vida. Evitar que se coloque a vida do outro em risco (ou a própria). Ajudar a mostrar um caminho para a criação de ser em crescimento que poderá transformar a nossa humildade (desejo para melhor). Uma maneira de levar o poder (de decisão, de opção, de escolha, de argumentação) para os pais ou responsáveis por uma pessoa. Está na Declaração dos Direitos Humanos: "A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. (...) Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais."

·     O que você acha que falta para a área da comunicação começar a se "interessar" pela área da ciência? 
     Isis Diniz - Primeiramente, uma educação formal decente para as pessoas conseguirem perceber que a ciência permeia tudo. Depois, que pesquisadores e profissionais da área sejam valorizados (inclusive financeiramente). Agora, generalizando, acredito que os bons profissionais de comunicação reconhecem a importância da ciência. Eles não a descartam. E, dependendo de como o tema é abordado e de qual tema (por exemplo, astronomia e paleontologia), as pessoas se interessam por ela. Mesmo que, ainda mais agora nesta época de "pós-verdade", muitas usam a informação como base para produzir a pseudociência ou argumentar ideias sem princípios científicos. Agora, quanto aos veículos em si que nos últimos anos encolheram seus cadernos ou áreas dedicadas à ciência, eles refletem uma opinião dos proprietários ou do que acham que a própria sociedade julga importante. É uma pena. Uma sinalização de que a ciência ainda não é percebida como algo relevante. Neste caso, a educação formal também seria importante. E uma complementar. Mas até a educação está sofrendo quando se mexe em grades curriculares de maneira que dificultam que o aluno forme suas próprias opiniões embasadas no que já foi descoberto ou discutido. Cabe a nós, aliás, questionarmos isso para a sociedade exigir uma educação mais completa. E um jornalismo mais adequado.

Psicologia cognitiva para explicar fenômenos cotidianos

André Luiz Souza tem PhD em Psicologia Cognitiva
André Luiz Souza é PhD em psicologia cognitiva e escreveu para seu blog Cognando, integrante do Science Blogs do Brasil, desde 2010, quando foi convidado pelo comunicador e apresentador Átila Iamarino, apresentador do programa Nerdologia. O pesquisador escreveu no blog até 2016, atualmente trabalha na área de psicologia cognitiva, a partir de experimentos, na Universidade do Alabama, Estados Unidos, onde também fez seu pós-doutorado.
Hoje ele faz experimentos e pesquisas a fim de compreender o comportamento humano. Por exemplo, por que falamos palavrões quando nos machucamos sem querer? André foi atrás desse fenômeno e fez um experimento com três diferentes grupos de pessoas, para chegar à conclusão de que, sim, ‘xingar’ pode dar a sensação de diminuir a dor no momento em que machucamos uma parte do nosso corpo. 
Outro experimento interessante foi da “cognição corporificada”. “Ela consiste em provar que conforme estamos no espaço físico, acima ou abaixo de algo ou de alguém, mudamos nosso ponto de vista sobre algo ou alguém”, explica André. Ele apresentou diferentes smartphones para pessoas que estavam subindo e descendo uma escada rolante. Ao fim do experimento, ele chegou a conclusão de que as pessoas tendem a achar o objeto mais bonito e eficiente quando estão subindo a escada, ou seja, em uma posição acima do que lhe é mostrado. Os artigos e textos do blog Cognando mostram que a ciência está no dia a dia de todos nós, e que é possível explicar fatos simples ou complexos das relações sociais, como terminar um relacionamento, a tristeza e a saudade, através da psicologia cognitiva. 
Para André, no Brasil, há pouca incentivo à iniciação científica, quanto à experimentações e pesquisas. Aqui, ele estudou o desenvolvimento da linguagem em crianças, como que elas adquirem e produzem o conhecimento da língua falada de cada região e a aquisição dos verbos.
Quando começou o blog brasileiro, André pensou em chegar nas pessoas com uma linguagem mais simples, já que, para o pesquisador, o brasileiro não tem costume de ler. Por isso ele abordou temas como fim de relacionamento, ciúmes, redes sociais, para explicar seus estudos e tornar a ciência algo mais próximo do nosso dia a dia. Quando ele escreveu sobre temas como ansiedade e depressão, conta que foram os textos mais lidos, diversas vezes. “Eu recebia de trinta a quarenta emails por dia de pessoas pedindo ajuda ou conselhos sobre os transtornos, e eu falava mais como amigo do que como profissional”, relata. Para ele, a ansiedade e depressão em jovens hoje em dia, que se tornou epidêmica, é o resultado da grande quantidade de informações que absorvemos todos os dias, e não conseguimos captar e compreender tudo. Por isso, André recomenda muito exercício para o cérebro, leitura, energia e alimentação.
Atualmente, nos Estados Unidos, o pesquisador ainda trabalha com estudos de cognição, realizando experimentos, por enquanto, não está mais escrevendo publicações. 

domingo, 7 de maio de 2017

A Ciência nas redes: uma viagem sem volta

           
Atila Iamarino, doutor em microbiologia.
  “Deu certo. Eu engano as pessoas dizendo que eu vou falar sobre quadrinhos, sobre cultura pop ou qualquer outra coisa... Mas eu estou lá falando de ciência!” (Euraxess Science Slam Final 2016, Átila Iamarino). Para descobrimos – ou aceitarmos – que gostamos de ciência, precisamos chama-la de outra forma. Que tal traduzir o termo do latim? Conhecimento. Se a ciência  afasta uns, o conhecimento atrai muitos.
Átila Iamarino, o comunicador científico com formação em biologia e doutorado em microbiologia, é expert em abordar, a partir da ciência, as áreas da física, psicologia, matemática, astronomia, história, ecologia, química, engenharia e outras. “Eu pego algo que a galera curta e coloco ciência por lá”, diz Iamarino em entrevista à Warner, onde conta sobre a importância de aproximarmos a informação e o entretenimento em busca de alcances maiores.
                Quem precisa falar em ciência para falar de ciência? Iamarino escreve no blog Rainha Vermelha e comanda o canal de vídeos Nerdologia. Com quase 1 milhão e 700 seguidores que assinam e acompanham seus vídeos, o cientista descobriu que gostava de “ensinar” dando aula em cursinhos comunitários, ainda na época da universidade. Desde então, ele se aventurou em algumas redes sociais até chegar ao YouTube, em 2010.
                Os dois vídeos semanais e a interação do público comprovam: a ciência precisa fazer parte da cultura. O tempo, a convivência e a companhia respondem por isso quando colocam um cientista como alguém que frequenta a casa de diversos telespectadores todas as terças e quintas-feiras. O trabalho de Iamarino, afinal, é ampliar o processo de geração, transferência e uso de informação científica, tornando-se um exemplo de comunicador científico – através de fotos, vídeos, gráficos, ilustrações e cores, o cientista educa a população para a ciência. O resultado da educação? O saber!
                O blog Rainha Vermelha, ao contrário do canal Nerdologia, é um espaço onde Iamarino divide com os leitores seus livros preferidos, opiniões sociais e políticas, dicas para cientistas “iniciantes” e, também, informações sobre a vida na terra. Na fala ou na escrita, o youtuber – quem diria que chamaríamos um cientista de youtuber? – aplica a ciência de tal forma que o público só percebe a tradução, ou seja, o conhecimento adquirido. Para o conhecimento, enfim, o mundo sempre abrirá as portas – cientistas, bem-vindos à comunicação!

Por Manuela Fantinel


sábado, 6 de maio de 2017

Doutor em Biologia conta sobre o surgimento do blog científico Haeckeliano

Formado em Ciências Biológicas pela USP, com Mestrado em Zoologia pelo Museu de Zoologia e Doutorado em Genética e Biologia Evolutiva, Fabio Andrade Machado é o autor do blog Haeckeliano.



Amante dos animais, lamenta que devido seu envolvimento na pesquisa acadêmica, não tenha mais tempo para se dedicar ao blog como antigamente:

“Não consigo mais atualizar o blog como gostaria. Atualmente sou bolsista do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) da Argentina, e pesquiso no Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia. Meu enfoque de pesquisa é evolução fenotípica e morfologia de Carnivora (Mammalia). E no momento, estou investigando a evolução de Canídeos atuais e fósseis.”

O biólogo acredita que com o aumento da divulgação de estudos e pesquisas científicas na internet, as pessoas passaram a ter uma maior conscientização a respeito da importância da ciência na vida cotidiana.

“Inicialmente eu diria que a informação na internet poderia ajudar a fazer essa ponte e trazer uma maior conscientização sobre ciência. Entretanto, a estrutura atual das mídias sociais tem algo de contraproducente que é difícil de tocar. Talvez a exaltação do imediato e a efemeridade da informação disponível faça com que o entendimento (se é que podemos chamar assim) de qualquer matéria sob a ciência fique reduzida ao mínimo. Isso me parece acabar facilitando a cultura de noticias falsas e exageradas, um padrão que me incomodava antes na mídia tradicional, mas parece estar em esteróides nas mídias sociais.”

Machado também falou sobre a ideia de fazer o blog, e o por que do nome Haeckliano. “A ideia surgiu diversas fontes. No início da graduação, em idos de 2003, eu tive um blog e escrever era uma atividade que considerava prazeirosa. Eu não havia ingressado no mundo da divulgação, mas já lia ativamente blogs de divulgação estrangeiros, como Why Evolution Is True, Evolving Thoughts, Rationally Speaking, Pharyingula, entre outros.”

Com a necessidade de se manter ocupado e com tempo livre após quebrar a perna, o biólogo lembra que também foi influenciado por dois amigos no meio da divulgação científica:

“Eu conhecia o Atila Iamarindo (conhecido hoje pelo canal do Youtube Nerdologia) que foi meu colega de classe e o Pirula - que faz vídeos para a internet - que conheci durante meu mestrado. A ideia de escrever o blog veio do fato de que eu necessitava algo para me entreter durante o inicio de meu doutorado, quando quebrei a perna e não tinha muito o que fazer. O blog emergiu dessa confluência de fatores.”

Já o curioso nome do blog vem do biólogo Ernst Haeckel, pensador polivalente e com diversos interesses fora da biologia. Fábio destaca que “Haeckel era um homem controverso (ainda é) e errou muito em relação à ciência, talvez mais do que acertou, mas isso não significa que sua criatividade e engenhosidade. Eu não digo que admiro ele, mas com certeza é uma pessoa sob a qual penso com frequência.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Fazer jornalismo científico na internet é possível

         

O Blog Hypercubic  - nasce de uma mente inquieta e curiosa. 
O cientista, blogger e jornalista Renato Pincelli desde criança se interessava por ciência, lia revistas como a extinta Globo ciência, além da coleção de livros da série Curiosidades e enciclopédias
Largar os livros e sentar em frente da TV na infância de Pincelli só acontecia quando O Mundo de Beakamnn estava na telinha, um  programa de televisão educativo e estrelado pelo ator americano Paul Zaloom, que atuava como o Professor Beakman. Nessa produção audiovisual destinada ao público infantil experiências cientificas eram ensinadas e por meio de uma abordagem divertida  conceitos  apresentados, além disso Albert EinsteinIsaac NewtonBernoulli e outros reis da ciência apareciam nos episódios tornando tudo mais divertido, dinâmico e interessante.
Renato Pincelli é jornalista científico
Pincelli é um fã nato de ciência, em sua infância ir na locadora era sinônimo de mais um documentário assistido em sua lista de muitos.Aos dez anos, sempre alugava um VHS de desenho animado, uma comédia e um documentário da National Geographic”, relata o jornalista científico Pincelli. Ele conta que sempre viu um ar cientifico no desenho animado do Coyote e o Papa-léguas, pois uma brincadeira com os nomes científicos dos personagens no começo de cada episódio e o processo de tentativa e erro de capturar a ave fugitiva é um fato marcado.
Quando Pincelli é questionado sobre qual seria a melhor definição para ciência, ele cita Carl Sagan numa entrevista com Charlie Rose: "Ciência é uma maneira de questionar o universo de maneira cética, sabendo da nossa falibilidade humana". Depois disso o blogger completa: “Sagan queria dizer que quem não sabe fazer perguntas céticas, quem não questiona os donos da verdade acaba virando massa de manobra para qualquer aventureiro político ou charlatão religioso que surge. Mais do que criar tecnologia ou colecionar conhecimento, a ciência é uma maneira que temos para evitar sermos enganados, inclusive por nós mesmos.
Alguns anos se passaram, então Pincelli deixou de ser apenas consumidor de conteúdo científico e tornou-se também produtor. A paixão pela ciência desde cedo, deu frutos, o Blog Hypercubic, um site de ciências que além de informações dessa área, traz também conteúdos de opinião, curiosidades e cultura desde o ano de 2007.  Cada dia mais o blog avança e conquista espações e reconhecimento, a página do Facebook já tem quase dois mil seguidores e no ano de 2012 o jornalista científico recebeu o III Prêmio Bê Neviani, como vencedor na categoria blogs. 
No ano de 2011 o site deixou de pertencer ao formato blogspot e inseriu-se no Sciencia Blogs, um espaço online que abriga a maior rede de blogs de ciência do mundo. Este espaço busca aproximar a sociedade das descobertas e pensamentos da ciência. O entrevistado acredita que na plataforma é possível discutir Ciência de forma aberta e inspiradora, além transformar vozes das mais variadas localidades em vozes globais, pois nesse ambiente virtual é possível encontrar conteúdo em diferentes línguas como: inglês, português e alemão. Hoje Pincelli sente-se satisfeito por integrar essa rede e traduz seus sentimentos nas seguintes palavras: “vejo essa mudança como um amadurecimento, uma semi-profissionalização do meu trabalho e tenho orgulho de ser um scienceblogger”.
Com uma linguagem engraçada, descontraída e nada formal o autor do blog, de 23 anos, tem um texto curioso e dinâmico. O design é esteticamente bonito. Combinando três tons de verde, seu ícone é um hipercubo, ou seja, um volume maior que um cubo comum. A disposição do site é organizada e traz alguns tópicos como: Adicione a sua dimensão, ou seja, um espaço para troca de conhecimento entre o público e o produtor de conteúdo para a internet, lá é possível enviar opiniões sobre as postagens, criticas, textos para serem publicados, histórias curiosas, quadrinhos etc.
O blog tem o nome de Hypercubic, pois o cientista lia alguns estudos sobre a quarta dimensão geométrica, ele explica que na matemática um hipercubo é uma versão quadridimensional de uma figura simples, o cubo. Diferente do cubo, o hipercubo tem um espaço interno, um volume muito maior. “Eu achei que a definição de hirpercúbico seria uma boa analogia para a internet em geral. Eu via meu blog como uma caixa hipercúbica onde podia colocar minhas ideias e interesses. Mantive o nome em inglês por questões puramente fonéticas. Achei que hypercubic soava melhor que hipercúbico”, esclarece Pincelli.
Na hora de produzir conteúdo além do prazer em poder compartilhar o que o interessa, Renato Pincelli traduz textos em inglês, pois enxerga que boas produções se perdem por não possuírem versões em português. Ele Gosta de escrever ou estudar sobre um pouco de tudo. “Acho que essa curiosidade generalizada é fundamental para o jornalista científico. No entanto, os interesses variam com o tempo. Houve uma época em que mantive uma coluna semanal sobre patentes bizarras, mas fui parando aos poucos quando isso deixou de me interessar. As áreas que mais rendem ultimamente são astronomia e nanotecnologia, mas também gosto muito de física, biologia, história, arqueologia, linguística”, conta o cientista.
O autor do Hypercubic prefere trabalhar sozinho e no seu ritmo que determina dois ou três posts por semana. Hoje relata que gostaria de apoio, de uma equipe maior já que inicia novos projetos em sua vida acadêmica. Para organizar os conteúdos que serão dispostos no blog, Pincelli faz uma seleção de notícias relevante, escolhe a partir de e-mails que assina de sites que apresentam comunicados científicos, como o Phys.org, o ScienceDaily ou o Sci-News.
Hyppercubic e a origem do Chá
“Quando escolho algo, penso em apresentar uma pesquisa que seja interessante, mas não necessariamente revolucionária ou bombástica, afinal todo mundo acabaria escrevendo sobre isso”, explica o autor do blog.
Não é uma tarefa fácil trabalhar com ciência, muito menos com a divulgação desta. Um modelo de jornalismo científico a ser seguidos aos olhos de Renato Pincelli é o trabalho de Mauricio Truffani no Direto da Ciência, que pauta uma área pouco explorada, a da política científica e, também, busca esclarecimentos de alguns escândalos acadêmicos.  Um apelo de Pincelli é que haja equilíbrio e não uma produção científica voltada totalmente a academia ou outra  com uma linguagem simplista, que torna a pesquisa científica e seus processos irrelevantes, assim  muito faz a Ciência Hoje, da SBPC e por vezes a Superinteressante.      
Para encerrar Pincelli ressalta que o papel do jornalista científico é semelhante ao de um tradutor, pois ambos trabalham com o incompreensível para determinado público e recodificam isso para torná-lo mais acessível. “Um bom jornalista científico deve, além de muita curiosidade, ter certo pendor para a tradução, tradução não apenas de texto, de jargão, mas de ideias e noções que muitas vezes são abstratas e distantes demais do cotidiano. O papel do jornalista científico é pegar esse material bruto e digeri-lo, tornando-o mais palatável para o leitor. É preciso simplificar, encontrar analogias que existam no dia-a-dia do leitor. Ao mesmo tempo, não se pode simplificar demais. A dificuldade do jornalismo científico é essa: encontrar um equilíbrio entre a simplificação que esclarece e a que imbeciliza”.

Blog Psicológico: o acesso aos conhecimentos da psicologia no cotidiano comum

A figura do pesquisador pode ser quase caricata na nossa sociedade. Fora do meio científico, a imagem do pesquisador é a de uma pessoa muito inteligente, tão inteligente que é difícil ou praticamente impossível acompanhar o que ela diz. E de fato, é difícil compreender alguns temas que norteiam os “mais conhecidos” assuntos da ciência. O conceito ainda é entendido por muitos como aquilo que está relacionado a moléculas, neurônios, nanotecnologia, entre outros elementos das chamadas Ciências Naturais e Exatas. Mas falar com um cientista sobre suas pesquisas não é tão complexo e inalcançável quanto parece.
Felipe Epaminondas é psicólogo clínico,Analista do Comportamento, 
especialista em psicopatologia clínica e mestre em psicologia
 pela PUC-GO.
Uma prova de que é possível tratar de ciência de forma simples e relacionada ao cotidiano são os blogs do Science Blogs Brasil que possuem uma linguagem acessível ao público leigo. Dentre eles está o Psicológico, blog escrito pelo psicólogo e professor Felipe Epaminondas, especialista em psicopatologia clínica e mestre em psicologia. Por vezes, o blog trata de assuntos relacionados com os estudos do autor, mas não possui linguagem científica de difícil acesso para os leitores leigos no assunto. Diversos textos escritos por Epaminondas têm caráter de curiosidade, são sobre algo que ele assistiu ou leu.
 O conteúdo divide-se em dezesseis categorias, dentre elas estão “curiosidades”, “eventos”, “filmes”, “humor”, “livros”, “neurociência” e “psicopatologia”. São feitas observações e inclusive análises de livros e filmes. Epaminondas começou as publicações em 2008 entre o fim da graduação e o início do mestrado. Ele diz que na graduação se aprende muita coisa sobre comportamento que pode ser aplicada no cotidiano. A partir disso surgiu o pensamento de como seria bom para outras pessoas se elas tivessem acesso a esse conhecimento. “Comecei meu blog com o propósito de passar adiante coisas que eu aprendia no curso e na experiência como terapeuta”, comenta o pesquisador. 
As publicações nem sempre tem relação com os estudos acadêmicos de Epaminondas. Ele aproveitou o espaço para sugerir leituras, filmes, vídeos e comentar episódios de séries de TV. “O bom da psicologia é que tudo que envolve comportamento podemos comentar e onde há pessoas há comportamento, então fica fácil achar assunto”.
O Psicológico já chegou a ter duas mil visualizações diárias e os leitores atuais continuam deixando seus comentários, inclusive em publicações antigas. Ele diz que se em nossa cultura a educação científica não é valorizada, então qualquer leitor que tiver já é considerado um número satisfatório. Graças ao blog, Epaminondas já foi chamado para ministrar palestras, comentar em reportagens e alguns leitores já entraram em contato para buscar atendimento psicoterapêutico. Para ele, o blog é " um exemplo de que a ciência já está próxima de nós, do nosso cotidiano, até das nossas ações e que nós podemos nos aproximar mais dela também". 

Entrevista com Eduardo Bessa, do blog Ciência à Bessa

Por Pedro Lenz Piegas

Eduardo Bessa é zoólogo e
trabalha  na UFMT
A interdisciplinariedade pode ser um dos caminhos para fazer com que a ciência seja mais popular? 
Entrevista com o professor Eduardo Bessa, zoólogo na Universidade do Estado de Mato Grosso e especialista em comportamento animal. Escreve para o blog Ciência à Bessa. O blog é relacionado a área de biologia e traz matérias são sobre seres vivos, como por exemplo animais listados em extinção, pesquisas na área, condições, salários e a informações a respeito da profissão de biológo no Brasil. 
Link para o blog: http://scienceblogs.com.br/bessa/

   Como surgiu a ideia de ter um blog sobre animais, biodiversidade? Pode falar um pouco sobre ele também?Bessa:Sempre gostei de falar sobre ciência, mesmo antes de me tornar pesquisador eu já gostava disso. Escrevi matérias para o Estadão, Scientific American e Ciência Hoje. O Ciência à Bessa surgiu em 2008 na noite do meu casamento. Um grande amigo, o Carlos Hotta, me perguntou: "E aí, o jornalzinho da graduação da Bio-USP ficou no passado (eu escrevia uma coluna chamada Maravilhosa Obra do Acaso nesse jornal), vai parar de escrever sobre ciência? Por que não cria um Blog?" No começo fiquei meio resistente, nem sabia direito o que era um blog e nunca fui muito bom de informática, mas o Carlos acabou me convencendo. Na época eu não sabia, mas ele já estava pensando em criar o Lablogatórios com o Átila Iamarino, que depois tornou-se Scienceblogs Brasil. Aí acabou me incluindo nesse grande condomínio de blogs científicos. O Ciência à Bessa não surgiu exatamente como um blog de animais, eu falava de física e química também. Com o tempo senti necessidade de ocupar meu próprio nicho e deixar de lado aquilo que não dominava tanto assim. Por isso, acabei convergindo para a Zoo e o Comportamento Animal, minhas áreas de formação.

    Como você vê a ciência sendo divulgada na mídia hoje em dia? Com tantas possibilidades de conhecimento através de blogs (como o seu), artigos acadêmicos disponibilizados também na Internet.
    Bessa:Tem muita gente no mundo e por isso tem público para tudo. Sempre haverá leitores para a revista Superinteressante, assim como sempre haverá audiência para o Iberê Thenório no Manual do Mundo. Recentemente os blogs perderam muita visibilidade com o crescimento do youtube, mas eu gosto é de escrever. Então vou seguir é como blogueiro mesmo, sempre terei um leitor ou outro. Acho que a grande mídia poderia produzir material de melhor qualidade. Não gosto da Super, do canal NatGeo e nem do Globo Ciência. Mas sabe que esses canais nem me incomodam tanto? Me incomodam muito mais as vias de divulgação de pseudociências travestidas de ciência séria. As redes sociais, em especial o facebook e o whatsapp, se tornaram jardins de mentiras sinceras que se espalham rapidamente. As pessoas parecem não ter filtro, não desconfiam de nada. Isso sim me perturba.

Bessa: Não estou certo se eu sei o que é interdisciplinariedade (ou o que NÃO É interdisciplinar). Em todo caso, caixinhas como Zoologia ou Genética ou Fisiologia são ferramentas didáticas, não barreiras físicas reais que isolam disciplinas. Acho que o que realmente tornaria a ciência mais popular seria as pessoas fazerem parte do processo científico. A ciência é encantadora, só não o sabe quem nunca experimentou.

   Você acredita que todo pesquisador também precisa ser um bom comunicador? No sentido de redação, expressão oral ao transmitir conhecimento para o público hoje. Bessa:Nenhum trabalho científico é pleno enquanto não se torna acessível a outros da comunidade científica ou leiga. Por isso o cientista tem que ser um comunicador. Em curto prazo, saber comunicar a beleza da sua pesquisa para seus pares cientistas é suficiente. Serão eles que julgarão o mérito para um novo financiamento. No entanto, em longo prazo a grana para a ciência vem do contribuinte, do cidadão comum. Se não aprendemos a seduzi-los, um dia a fonte seca. Daí a importância da divulgação científica na minha opinião.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Einstein explica a Psicologia





O blog “O Divã de Einstein” tem como objetivo analisar o comportamento humano de maneira atrativa com uma linguagem que seja acessível a todos. Ele foi criado pela psicóloga Ana Arantes,  mestre em Educação Especial e doutora em Psicologia.

O Divã de Einstein apresenta como cor de fundo uma cor mais clara, que lembra um carpete ou tapete de algum consultório médico. O nome do blog está escrito em vermelho e verde. Apresenta no nome do blog, o desenho de um divã, espécie de sofá encontrado nos consultórios psiquiátricos.

Seu conteúdo é apresentado através de fotos e ilustrações. A linguagem como a autora do blog aborda as temáticas relacionadas ao comportamento humano e saúde mental é bastante acessível. Na parte direita da página do blog, encontram-se os tópicos recentes. Abaixo dos tópicos é possível acessar os comentários dos leitores do blog. A autora faz também o uso de vídeos para apresentar temas como por exemplo o autismo. São apresentados textos sobre autores e pesquisadores importantes no ramo da psicologia.

A autora, no final da página ao canto direito, colocou a disposição outros blogs sobre comportamento que os leitores mais interessados sobre o assunto, também possam acessar.  



Psicologia, Ciência e Internet: entrevista com André Rabelo do canal Minutos Psíquicos

André Rabelo é doutorando em
Psicologia na UNB
A criatividade é impulsionada de mentes inquietas. Esse é o caso de André Rabelo, que produz conteúdo para internet com o propósito de instigar e divulgar a ciência para jovens.
Rabelo é formado em Psicologia e mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente, é doutorando do programa de pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da UnB e professor do curso de psicologia no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).

Além disso, é o autor do blog SocialMente e do canal do youtube Minutos Psíquicos, onde desde 2014
 publica vídeos curtos sobre psicologia e o universo. 


Em entrevista para Renata Teixeira, 
acadêmica de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano (Unifra - RS), Rabelo conta sobre o trabalho e o interesse pela produção de conteúdo para internet. 







Qual a proposta inicial do canal? 
Rabelo: A proposta do canal Minutos Psíquicos é oferecer vídeos curtos, didáticos e objetivos sobre psicologia e ciência de um modo mais amplo. Os vídeos tem como base os conhecimentos científicos mais atuais dos quais dispomos e a linguagem adotada busca instigar a curiosidade e compreensão dos assuntos.

Como surgiu a iniciativa? 
Rabelo:Eu sempre me senti insatisfeito com o material disponível na internet e na mídia sobre ciência, especialmente sobre psicologia. Eu não encontrava muita coisa falando sobre as coisas que eu andava lendo e adorando conhecer, principalmente relativo às pesquisas científicas. Então pensei que eu mesmo podia fazer algo pra preencher essa lacuna, e foi ai que eu comecei o blog SocialMente e alguns anos depois o Minutos Psíquicos.


A equipe é formada por pesquisadores ou as informações dos vídeos vem de outras fontes? 

Rabelo:Eu sou pesquisador e produzo o conteúdo da maior parte dos vídeos. O resto da equipe está mais voltado para a parte técnica de produção das ilustrações e edição dos vídeos. As informações dos vídeos vêm principalmente de artigos científicos, livros, sites especializados e matérias jornalísticas de qualidade.

Qual o público-alvo dos vídeos? 
Rabelo:Qualquer pessoa interessada na mente e no comportamento humano, mas especialmente de adolescentes pra cima.

Vocês acham que conseguem atingir um público mais jovem, que talvez não se interessaria pela ciência, por conta das ilustrações dos vídeos e linguagem mais coloquial dos vídeos? 
Rabelo:Sim, acredito que isso possa influenciar sim.

Como são escolhidos os assuntos abordados nos vídeos? 
Rabelo:Não tem uma regra rígida, mas geralmente eu tento manter um equilíbrio entre os temas que eu já tinha planejado abordar, os temas mais pedidos pelas pessoas nos nossos vídeos e perfis de redes sociais e os temas que estão mais atuais na mídia (ex: jogos olímpicos). Tenho dois critérios que acho importantes pra dar prioridade pra um tema: quanta informação de qualidade disponível existe sobre aquele assunto e o quão geral, interessante e chamativo é o assunto.


Vocês tratam nos vídeos, até mesmo assuntos, que são vistos como tabu e que a grande mídia não costuma abordar, como por exemplo o suicídio. Como é a resposta dos internautas a respeito disso? 
Rabelo:Até o momento, a reação do público de um modo geral aos temas que abordamos tem sido muito positiva. As pessoas gostaram muito do vídeo sobre suicídio, por exemplo, e o mesmo serviu pra grande maioria dos outros temas. Não estou conseguindo me lembrar agora de algum tema que não tenha sido bem recebido pelo público por mais polêmico que fosse.

A internet é aliada para disseminar conhecimentos sobre ciência ou é um empecilho por conta das inúmeras informações incorretas que circulam na rede? 
Rabelo:No momento, acho que as duas coisas. Ela pode ser uma grande aliada, mas muitas vezes não têm sido. O problema não está na internet em si porque ela é só uma ferramenta. O problema está com quem a usa e com as suas respectivas motivações. Muitas pessoas estão mais interessadas em ganhar cliques e audiência do que em disseminar conhecimento científico com embasamento e pra isso apelam bastante. É uma pena, é um desserviço e atrapalha o esforço de quem está tentando promover uma mudança cultural a respeito de como a ciência é vista e tratada na nossa sociedade.

Como funciona para apoiar no Patreon?  
Rabelo:É só a pessoa entrar na nossa pagina no Patreon e se inscrever para nos patrocinar. Ela pode doar diferentes quantias por mês e pode interromper a sua doação quando quiser. As pessoas que têm nos apoiado por lá são responsáveis pela maior estabilidade nas publicações e o crescimento do nosso canal, eles fazem muita diferença e nos motivam a querer melhorar sempre o nosso conteúdo!

Por Renata Teixeira para a disciplina de Jornalismo Cientifico