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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Experimento no Oceano Atlântico Sul mede temperaturas

Oito pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estão, desde o dia 10 de outubro deste ano, a bordo do Navio Polar Alm. Maximiano. Entre eles estão três representantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e dois pesquisadores do Departamento de Ciências da Atmosfera e dos Oceanos da Universidade de Buenos Aires (UBA).
Os pesquisadores irão realizar um experimento de campo no Oceano Atlântico Sul, quando irão percorrer a cidade de Rio grande (RS) e Punta Arenas, no Chile. Essa experiência está ligada ao projeto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, através do Programa Antártico Brasileiro (ProAntar),  em projeto  coordenado pelos pesquisadores Ronald Buss de Souza e Luciano Ponzi Pezzi.
O programa Interconf (Interação Oceano-Atmosfera na Região da Confluência Brasil-Malvinas) é quem realiza esse experimento. O programa tem como intuito avaliar os impactos na atmosfera, através das mudanças da temperatura da superfície da água do mar.
Os dados do experimento são coletados através de sensores que foram instalados em uma torre micro meteorológica na proa do navio. Essa torre tem como objetivo oferecer estrutura para a instalação de equipamentos meteorológicos que irão coletar dados para análise específica da área estudada. Além das torres, também é possível observar os resultados através dos radiossondas - um conjunto de aparelhos e sensores que são conduzidos por balões meteorológicos e, por último, não menos importante, os instrumentos oceanográficos.
A região da Confluência Brasil-Malvinas é uma região estratégica para se entender as conexões Antártica e a América do Sul, já que nelas ocorre o encontro de massas de água de origem tropical e subpolar, no qual são carregadas pela Corrente do Brasil e Corrente das Malvinas.

As barreiras entre ciência e mídia no Brasil

   A coletiva de imprensa realizada na disciplina de Jornalismo Especializado II, no Centro Universitário Franciscano, com o meteorologista, professor da Universidade de Santa Maria (UFSM) e pós-doutor em meteorologia Ernani de Lima Nascimento levantou algumas perguntas a respeito da relação dos cientistas com a mídia e com a forma de veiculação de pesquisas e informações com grande importância para a população.                                                                                                                Nascimento acredita que os cientistas e pesquisadores devem estar preparados para comunicarem-se diretamente com os jornalistas, utilizando uma linguagem compreensível, se dispondo a dar boas e, se preciso, longas explicações que possam ser facilmente decodificadas. Em contraponto, os profissionais da comunicação devem ter responsabilidade no contrato de fidedignidade com o discurso do especialista. Muitas vezes, a interpretação do jornalista pode prejudicar o conteúdo da matéria jornalística, o que acaba por comprometer a informação.                               O professor é doutor em meteorologia pela University of Oklahoma, nos Estados Unidos e contou sobre as diferentes formas de alertas meteorológicos de tempestades severas são enviados no país, por exemplo. Segundo ele a velocidade e a forma como a população é informada no Brasil, não são eficazes. Ele acredita que para que esses sistemas operacionais funcionem, é necessário que se haja educação na hora de tomar providências. “Não sei se seria bom termos um sinal de alerta aqui, por exemplo, se ele apenas causaria pânico, e ninguém saberia como agir”, comenta Nascimento.  
Em uma entrevista para o programa Cidadania, da TV Senado, Rivaldo Venâncio da Cunha, pós-doutor em Medicina com ênfase no estudo das doenças causadas por vírus pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro comentou a maneira de divulgar saúde no Brasil. Segundo ele, a mídia tem sim total capacidade de transmitir informação de qualidade e de uma forma acessível. Porém, ainda se peca no formato utilizado.
Cunha da ênfase ao trabalho em longo prazo que deveria ser realizado pela mídia. Segundo ele, saúde pública não pode ser tratada tão pontualmente ou factualmente. As campanhas devem ser embasadas em mudanças de hábitos e não na “cura milagrosa”, ou em “o novo remédio”.  Sem generalizações o médico ressalva: “Depende da mídia e depende do assunto tratado”.
Alguns exemplos relacionados à saúde foram citados. Como a campanha de prevenção de DST’s, por exemplo, que segundo o pesquisador é lembrado nas épocas de grande movimentação de pessoas no mesmo local, como quando se aproxima o carnaval. Assim como as doenças sexualmente transmissíveis, Cunha comenta da forma como foi veiculado o vírus Ebola. “Estava tão distante daqui e por vezes as doenças que estavam afetando mais gravemente o país foram deixadas de lado”, alerta o médico.  

Para Cunha saúde pública é um casamento entre ciência, cidadania, mídia e como não, educação. E a questão de como comunicar questões relacionadas á saúde devem ser discutidas, para que os veículos o façam com cautela. “A mídia tem capacidade de falar para todas as classes sociais sim, então, não é um problema técnico, mas sim de formato como é construída e a linguagem e  interpretação do veículo e jornalista”, conclui o professor.  

Julia Machado

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Mídia e ciência um debate importante para a construção da educação

     A mídia tem um papel importante na disseminação da ciência por abranger o maior público. A população tem acesso a informação por meio dos veículos midiáticos, neste caso, o papel do jornalista é fundamental para mediação da relação entre o cientista e o público geral. O resultado do contrato entre o repórter e o cientista nem sempre é satisfatório, por inúmeros motivos, entre eles, a linguagem difícil e técnica dos cientistas, a distorção de alguns dados ou fatos por parte do repórter, mas o que não pode se negar é que, essa relação deve existir para que as pessoas fiquem informadas acerca da ciência.O professor e coordenador da pós-graduação de Meteorologia da UFSM conversou com os alunos do sexto semestre do curso de jornalismo do Centro Universitário Franciscano a respeito da cobertura que a mídia fez em alguns temporais. Segundo Ernani Lima Nascimento, “a mídia também ajuda a ciência, mas é preciso separar o ‘o joio do trigo’, pois a mídia trabalha com relatos da defesa civil e de pessoas, mas pouco utiliza fontes cientificas para explicar fenômenos climáticos”.Nascimento também falou que a rapidez e a pressão que os veículos midiáticos exigem dos repórteres colabora para que aconteçam alguns erros, ou que as informações acerca de determinados assuntos cheguem de maneira sucinta ou nivelada ao receptor.Quando o assunto é saúde, as vezes essa relação entre os veículos de comunicação e os médicos ou cientistas pode ficar tensa. Em entrevista dada ao blog do Chico Sant’anna, o superintendente regional da Fiocruz em Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio, disse que as vezes a mídia faz sensacionalismo quando trata alguns fatos, e que isso, pode gerar algum tipo de pânico na população. Segundo Venâncio nem sempre o assunto que é tratado em determinado momento tem a relevância necessária para a população, ou a abordagem da mídia feita sobre determinado fato faz com que a população entenda e reaja de uma maneira diferente o que realmente está acontecendo no momento.Outro fator que pode fazer essa relação entre cientistas e a mídia não ser as melhores, é a distorção de algumas colocações dada pelos jornalistas. Essa questão é delicada e exige, também, um preparo do repórter para não cair em armadilhas e acabar divulgando coisas que não são verdadeiras. O professor Ernani fala que essas distorções acontecem porque os comunicadores precisam passar as informações de maneira clara para a população, por isso precisa simplificar o que o especialista quer dizer. Outra explicação que o professor deu para isso é a linguagem rebuscada usada pelo especialista, que acaba dificultando o entendimento entre o repórter e o cientista.Embora tenha essas diferenças entre a mídia e a ciência, o fato é que a ciência depende da mídia para divulgar os fatos, pelo menos se quiser uma abrangência maior, e que mais pessoas fiquem sabendo. E a mídia com o passar dos anos vem se interessando mais sobre o assunto.  Venâncio disse que “falta uma comunicação mais intensa entre profissionais da saúde e profissionais da imprensa”. Segundo ele, é preciso que os profissionais da saúde tenham conhecimento do dia a dia do profissional da comunicação e o jornalista entender a rotina dos profissionais da saúde. A partir desta relação, a mídia fará uma melhor cobertura e divulgação acerca da ciência. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A narrativa e a capacidade de trabalhar com o imaginário

Prof. Antonio Hohlfeldt.
Foto:Lucas Cirolini. Lab. Fotografia e Memória
Na noite da última quinta-feira, 27 de agosto, teve continuação, o XV Seminário Internacional de Letras (InLetras). A mesa mediada pelo Prof. Ms. Luis Adriano de Souza Cesar, do Centro Universitário Franciscano, teve como tema a “narratividade nos textos”,e ministrada pelo Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
O conceito de narrativa é uma sequência de fatos interligados, histórias e narrações que são expressas de diferentes formas e por diferentes linguagens: a linguagem oral e escrita, a linguagem imagética e pela representação teatral.
A narrativa pode explicar de onde viemos, o que fazemos qual nossa identidade. Para o Prof. Hohlfeldt, a narrativa permite nos conhecermos, nos adaptarmos, nos descobrirmos como pessoas em determinado tempo ou lugar.

O professor afirma que ler é fazer uma operação contrária a quem escreve. Quem escreve usa uma estratégia, uma estrutura para atrair o leitor. Quem lê deve desmontar essas estruturas e estratégias. Segundo Hohlfeldt, o letramento é a capacidade de ler, estudar e trabalhar com o imaginário, criar outras maneiras de narrar uma história. “Nós seres humanos, somos os únicos a trabalhar com o imaginário, a combinar formas, criar o que não existe”.

Por Henrique Orlandi

Manhã de Literatura


As apresentações de trabalhos desta manhã quinta-feira, 27 de agosto, no XV Seminário Internacional de Letras (Inletras), ocorreu em três salas do prédio 16, do conjunto III. Os projetos foram elaborados por acadêmicos, professores, mestrandos e doutorandos de universidades de Santa Maria e região.
Dentre os temas abordados, em uma das salas se destacou a temática literária. O professor de Literatura da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Fábio Augusto Steyer foi o primeiro a exibir seu trabalho, que se tratava de um estudo feito por ele e um grupo de alunos, sobre a participação do escritor Gonçalves de Magalhães na formação da identidade nacional literária, ou seja, o quão foi importante suas obras para que a literatura brasileira começasse a assumir um caráter nacional, porque anteriormente, a maioria das obras feitas no país, não abordava nenhum tema de cunho pátrio. Fábio ainda salienta que Gonçalves de Magalhães foi um dos pioneiros no romantismo brasileiro e que o autor afirma que a poesia surgiu na época dos indígenas, chegando a compará-los com os trovadores medievais.
A professora do Centro Universitário Franciscano, Vera Elizabeth Farias nos apresentou seu trabalho sobre a Literatura Africana, com o título de Construção Identitária Ficcional: Cabo Verde de Chiquinho, que se trata de um estudo sobre a influência da obra do escritor português Baltazar Lopes da Silva, Chiquinho, na formação da identidade cultural cabo-verdiana. O romance é considerado uma das mais conhecidas obras de Cabo Verde e marca o início da literatura do país e temas locais como a cultura crioula, marcando um início de da revista cultural Claridade, que fazia parte de um movimento de liberação cultural, social e política da nação.
Já o professor de literatura, Lucas Zamberlan, nos trouxe um estudo muito atual com o título, Os (não) lugares da São Paulo, de Luiz Ruffato, a Metrópole Esterilizada. A questão dos não lugares, tratados pelo professor, se faz referência aos lugares passageiros, ou seja, que possuem um grande fluxo e pessoas e não se caracterizam por possuir nenhum laço histórico com a cidade, como por exemplo, aeroportos, rodoviárias, estações de trem, metros, meios de transporte, hotéis, supermercados e etc. Essa temática caí no mundo em que vivemos, por exemplo em São Paulo, metrópole rodeada de prédios, shoppings, empresas particulares, ou seja, nada mais importa, a história não é mais lembrada, quase ninguém mais faz questão que algo seja construído no lugar de algo histórico. O não lugar também se remete ao fato de não se poder distinguir as grandes metrópoles hoje em dia, segundo Lucas, para quem olha de dentro de um carro ou do alto de um prédio, não saberá decifrar em qual grande cidade ele está, pois a semelhança entre elas é cada vez mais gritante.

Por Guilherme Motta