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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Artigo discute uso científico da maconha

Artigo publicado no jornal Zero Hora de hoje, assinado pelo jornalista Marcos Rolim e transcrito aqui na íntegra, face à relevância do assunto.

Maconha, porta de saída?
A epidemia de crack é um dos fenômenos mais sérios na interface entre saúde pública e segurança. O que a faz particularmente grave é a reconhecida dificuldade de superar a dependência química. Pois bem, a Universidade Federal de São Paulo realizou pesquisa com 50 dependentes químicos de crack que foram submetidos a um tratamento experimental de redução de danos. Sob a coordenação do psiquiatra Dartiu Xavier, o grupo foi tratado com maconha. Daquele total, 68% trocou o crack pela maconha. Ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam mais qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). Anotem aí: todos.
Imaginei que, com a divulgação destes resultados por Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo em 24 de maio, haveria grande interesse sobre o estudo. Nada. A resposta ao mais impressionante resultado de superação da dependência de crack no Brasil foi o silêncio. O uso medicinal da maconha tem sido admitido em dezenas de países, inclusive nos EUA. Por aqui, o tema segue interditado pela irracionalidade. É evidente que o consumo de maconha pode produzir efeitos danosos. Sabe-se que o abuso pode conduzir o usuário a problemas de concentração e memória e que em determinadas pessoas o uso está correlacionado à precipitação de surtos esquizofrênicos. Daí a criminalizar seu consumo e impedir experiências destinadas ao uso medicinal vai uma distância que tende a ser percorrida pela intolerância e pelo obscurantismo.
O psicofarmacologista Eduardo Carlini sustenta que o princípio ativo da maconha pode ser útil no combate à depressão e ao estresse. O mesmo tem sido dito por cientistas quanto ao tratamento do glaucoma, da rigidez muscular causado pela esclerose múltipla, ou como apoio aos pacientes com Aids, aos que sofrem do mal de Parkinson e aos que se submetem à quimioterapia em casos de câncer. Estudo da USP com pacientes que ingeriram cápsulas de canabidiol, um dos compostos encontrados na erva, demonstrou resultados positivos no tratamento da fobia social e na redução da ansiedade.
As oportunidades abertas por estudos do tipo, entretanto, assim como a necessária pesquisa, estão impugnadas no Brasil por um discurso preconceituoso e por uma legislação ineficiente e estúpida. Seguimos repetindo que a maconha é “a porta de entrada” para o consumo de drogas mais pesadas, o que pode traduzir tão-somente uma “falácia ecológica” (quando se deduz erroneamente a partir de características agregadas de um grupo), vez que o universo de consumidores de maconha é muitas vezes superior ao grupo dos dependentes de drogas pesadas que se iniciaram pela cannabis. Em outras palavras: é possível que a maconha seja mais amplamente uma opção alternativa às drogas pesadas e não uma droga de passagem. Independentemente disto, é possível que a maconha seja uma porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. O que, se confirmado, será uma ótima notícia.

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quebra de patente: uma questão coletiva

A possibilidade da quebra de patente para medicamentos tem gerado discussões válidas em torno da questão. Para quem não sabe todo o cientista, pesquisador, inventor que patentear sua criação, que pode ser um produto de qualquer natureza, pode controlar o uso do mesmo por um certo período e ganhar dinheiro também.
No Brasil, o mercado de medicamentos movimenta mais de R$10 milhões. A FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) é uma das instituições com maior depósito de patentes desde a década de 80. São 115 patentes requeridas, sendo 51 no Brasil e o restante no exterior e destas, 54 já foram concedidas, sendo 14 no Brasil.
A justificativa sobre a necessidade da quebra de patente no Brasil é que pacientes com AIDS, financeiramente vulneráveis, têm dificuldades em adquirir os coquetéis para o tratamento da doença. Se pensarmos em nível nacional, a quebra prejudicaria ou deixaria de incentivar novas pesquisas e poderia prejudicar pacientes locais.
Mas considerando que a maioria das pesquisas nas universidades do país traz inovações para a área de fármacos e não fórmulas de medicamentos, a conclusão é de que o Brasil precisa importar fórmulas e isto tem um custo. Como já sabemos que o investimento em saúde no Brasil não abrange todos os problemas da população, seria utópico pensar que o governo sempre dará prioridade para abastecer toda a população com os medicamentos importados, o que é papel do Estado. Está aí a justiça tendo que intervir em muitos casos, até para uma simples internação hospitalar.
Como sabemos muitos laboratórios já firmam convênios com universidades dando a garantia da comercialização da valorização dos produtos aos nossos pesquisadores. Por isso é plausível pensar como um país de terceiro mundo e considerar a quebra como uma solução pragmática a uma fatia dos problemas de saúde do Brasil.


Camila Gonçalves

Ação pede cancelamento de patente de remédios

A ação movida pela Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) contra as patentes de remédios, em setembro de 2009, se justifica pelo valor gasto com cinco medicamentos usados contra a doença. Só em 2001 foram gastos 420 milhões de dólares. Se as patentes fossem quebradas o Brasil economizaria bastante. O "pepeline", como é conhecido, é um sistema que permite a revalidade de patentes estrangeiras no Brasil.
Em julho, deste ano, o presidente Lula e os presidentes da América do Sul já cogitavam em quebrar patentes para a vacina da gripe suína. O remédio Efavirenz, usado no tratamento do vírus HIV, teve sua patente quebrada em 2007.
A autonomia neste caso é briga grande. Envolve tecnologia e estudo. A indústria farmacêutica, por sua vez, incluiria o pagamento aos laboratórios para continuarem a produzir a medicação necessária. Mesmo assim haveria menor custo.
Sem dúvida, a burocracia é ponto negativo no desenvolvimento da questão. Entre o registro de uma patente até pedir autorização para o governo, para comercializá-la leva anos.
As indústrias de medicamentos vibram e aceleram na fabrição de todas os remédios com patente liberada. Sorte do consumidor que terá acesso a um tratamento mais barato.

Marta Kochann

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

OPINIÃO! A quebra de patente dos medicamentos

O assunto, além de polêmico, é de extrema importância. De um lado os países em desenvolvimento como o Brasil lutam para reduzir os custos dos medicamentos usados no tratamento de doenças como a AIDS. De outro, os laboratórios e a intenção de manter o alto custo dos remédios sob a justificativa de que boa parte do lucro é investida em pesquisas, as quais buscam novas descobertas para o setor e quebra de patentes pode desestimular pesquisadores em todo o mundo.
A patente de um produto compreende em garantir a proteção à propriedade intelectual. Sua prerrogativa é garantir ao inventor os direitos de fabricação e venda de seu invento. Mas essa garantia está beneficiando algumas grandes empresas farmacêuticas e matando milhares de pessoas, principalmente, em países pobres que não tem condições de bancar o alto custo dos produtos.
O Brasil liderou as reivindicações das nações em desenvolvimento feitas a Organização Mundial da Saúde (OMS). O texto pedia mais respeito aos países pobres, pois alguns medicamentos utilizados na saúde pública tinham preços diferentes para cada país. Um exemplo é a decisão adotada pelo Brasil de quebrar a patente de um medicamento usado no combate a AIDS, agora o País vai importar um genérico por um preço três vezes menor.
O presidente Lula afirmou que a mesma medida pode ser estendida a outros medicamentos. Assim, o Brasil poderia escolher de quem comprar ou até mesmo produzir tais remédios.
No meu entender isso seria um grande passo para o país, já que essa economia pode estimular as empresas e os pesquisadores nacionais. Mas acima de tudo, melhoraria as condições de vida de quem depende de medicamentos caros e não tem dinheiro para comprar.

Patentes de medicamentos: os dois lados da questão

No mês de maio do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fechou um acordo sobre patentes e o acesso a medicamentos. A decisão reconheceu o direito dos países de quebrar patentes e estabelecer a criação de um grupo de especialistas para que seja desenvolvido um novo mecanismo de financiamento que estimule a pesquisa e o desenvolvimento no setor da saúde.
A patente define-se como uma propriedade temporária, que previne a cópia e venda do produto a um preço mais baixo e que pode ser legalmente concedida ao Estado. O que acontece é uma divisão de opiniões e uma eterna briga entre o pesquisador/criador e àqueles que necessitam do uso de determinado benefício a um preço mais acessível. É confortável para aquele que tem a patente lucrar “rios” de dinheiro em cima do feito. A partir daí entra-se na questão de pesar os ônus. Se pensarmos em uma situação hipotética, em que o vírus da Aids se alastra por um país e um pesquisador tem a vacina contra o HIV. O que fazer? Beneficiar-se e orgulhar-se em cima de uma pesquisa que durou anos para estar completa e vender a patente por um alto valor? Permitir que o Estado intervenha e quebre a patente? Ou deixar-se salvar milhares de vidas, deixando que laboratórios farmacológicos do mundo inteiro fabricassem e comercializassem medicamentos da cura da Aids livremente?
A questão é realmente complexa, pois é mais do que uma simples discussão, mas é um assunto que envolve a ética e tantos outros fatores sociais. Na ocasião da quebra de patente do medicamento do anti-retroviral Efavirenz, droga usada no tratamento da Aids, em 2007, o presidente Lula declarou: “ É importante deixar claro: não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como se fosse um País que não merece respeito, ou seja, pagarmos quase US$ 1,60, quando o mesmo remédio é vendido para outro país a US$ 0,60. É uma coisa grosseira, não só do ponto de vista político e econômico. É um desrespeito. Como se o doente brasileiro fosse inferior ao doente da Malásia. Não tem nenhuma possibilidade de aceitarmos isso".
O presidente nada mais fez do que defender nosso país, carente de tecnologia, se comparado a países desenvolvidos neste tipo de pesquisa, como Estados Unidos e Suíça. Em seu discurso, ele toca no ponto de que realmente, não há como ignorar o impacto social que determinadas quebras de patente causariam. Na hora de pesar o lado do pesquisador ou daquele que tem a patente e o lado de tantas pessoas que seriam beneficiadas com tratamentos antes caros, fico com o lado da maioria.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Governo divulga novo tratamento contra a tuberculose

O 3º Fórum Mundial de Combate à Tuberculose realizado no Rio e Janeiro de 23 a 25 de março último, e noticiado pelas diversas mídias durante a semana, trouxe uma boa notícia aos brasileiros. O Sistema Único de Saúde - SUS, terá um novo medicamento no tratamento da doença a partir do segundo semestre de 2009. A Dose Fixa Combinada (DFC), recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reduzirá de seis para dois comprimidos diários. O custo do medicamento será menor, aumentando assim, o número de adesão dos pacientes ao tratamento. O Ministério da Saúde alerta que os pacientes que abandonam o tratamento antes do término provocam a resistência da bactéria bacilo de Koch às drogas. A informação foi divulgada pelo ministério justamente na abertura de um fórum com grande visibilidade mundial. Seria coincidência?
O Brasil está entre os 22 países com o maior número de casos de tuberculose no mundo. Em 2000, o país se comprometeu a dar prioridade ao controle da doença e demorou nove anos para adotar a DFC . Apenas cinco países no mundo ainda não utilizam a DFC para tratar a doença.

Os caminhos da doença
A tuberculose é transmitida pelo ar e ataca principalmente os pulmões. Entre os sintomas estão tosse, febre, perda de peso e falta de apetite. O bacilo de koch se multiplicam facilmente nos pulmões e sem tratamento imediato formam as cavernas tuberculosas que inflamam e sangram com freqüência. A tosse passa a ser com pus e sangue. A prevenção principal é a vacina BCG aplicada nos primeiros 30 dias de vida. Ela é capaz de proteger contra as formas mais graves na doença. O tratamento é feito a base do medicamentos TFC, conhecido como quatro em um, tem duração de seis meses e o SUS oferece tratamento gratuito.
Por Alice Bollick, Pricila Lameira e Neli Mombelli.

sábado, 29 de novembro de 2008

Pílulas inteligentes acenam com terapias inovadoras

Medicamentos integrados a dispositivos eletrônicos de última geração prometem novas terapias para disfunções do trato digestivo

A Philips Research deve apresentar, na abertura da Reunião Anual e Exposição da American Association of Pharmaceutical Scientists (AAPS), no domingo, em Atlanta, nos Estados Unidos uma nova tecnologia em pílula inteligente, a “iPill”. Esse processo acena com o desenvolvimento de novos medicamentos e terapias para disfunções do trato digestivo como a doença de Crohn, colite e câncer de cólon ─ um dos tipos mais comuns da doença no Brasil.
Em 2001, a primeira pílula-câmara foi aprovada pela Federal Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, para aplicações em diagnósticos. A iPill é uma cápsula do mesmo tamanho de uma pílula-câmara, projetada para ser engolida e passar naturalmente pelo trato digestivo. Ela pode ser programada eletronicamente para controlar a distribuição de medicamentos, segundo critérios pré-definidos.
A pílula-câmara define sua localização no trato intestinal medindo a acidez local do ambiente. Áreas diferentes do trato intestinal têm perfis de pH (nível de acidez) distintos: o estômago é altamente ácido, mas essa situação se altera no intestino superior. Com essas informações sobre o pH e os dados sobre os tempos de deslocamento da cápsula, a localização no intestino pode ser determinada com razoável precisão. O mecanismo libera o medicamento do recipiente por meio de uma bomba controlada por microprocessador, o que permite programar a liberação de medicamentos. Além disso, a cápsula foi projetada para medir a temperatura local e transmitir os dados para uma unidade receptora externa.
“A combinação das informações de navegação, da administração controlada de medicamentos e do monitoramento do trato intestinal promete fazer da tecnologia uma ferramenta de pesquisa importante para o desenvolvimento de medicamentos”, avalia o especialista chefe em administração de medicamentos Karsten Cremer da Pharma Concepts GmbH, em Basiléia (Suíça). “Em especial, reconheço o potencial dessa tecnologia para melhorar o perfil e a seleção de candidatos a receber medicamentos, o que pode acabar acelerando o desenvolvimento de novas drogas.”

Fonte: SCIAM
Por Bruna Berwanger de Andrade