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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Diálogo com um surdo no meio da floresta

No momento em que se comemora o Ano das Florestas, cabe trazer o artigo do jornalista Washington Novaes publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (23).

"Há questões muito relevantes no Brasil em que, na aparência, ocorre um diálogo entre governo e sociedade; na prática, entretanto, os governantes parecem absolutamente surdos ao que dizem cientistas e cidadãos; só ouvem os que estão do lado oposto. E esse é - entre outros - o caso da gestão "sustentável" de florestas públicas por empreendimentos privados.
Ainda há poucos dias, o jornal Folha de S.Paulo (4/9) divulgou estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) mostrando que o manejo de florestas nativas é, ao menos do ponto de vista econômico, "insustentável", pois não permite a regeneração das árvores mais valiosas e tende à perda da rentabilidade após o primeiro corte para comercialização. Imagine-se, então, o que acontece em termos de sustentação da biodiversidade e da manutenção da floresta. Uma questão tão grave que, segundo o estudo, "pode fazer fracassar a política federal de concessão de florestas". O caso estudado é em Paragominas (PA), região onde o autor destas linhas esteve há uma década acompanhando um desses projetos e concluiu que de sustentável nada tinha; algum tempo depois ele foi embargado pelo Ibama porque retirava sete vezes mais madeira do que lhe era permitido.
Pois exatamente poucos dias depois de divulgado esse estudo da Esalq o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciava (9/9) que "dez florestas nacionais integram a lista de florestas públicas que poderão ser concedidas em 2012, segundo o Plano Anual de Outorga Florestal". Ao todo, 4,4 milhões de hectares - ou 44 mil quilômetros quadrados no Pará, em Rondônia e no Acre, equivalentes a mais de dois Estados de Sergipe. E 2,8 milhões de hectares se destinarão à "produção sustentável". Da qual se espera retirar 1,8 milhão de metros cúbicos de madeira.
É uma política que vem desde a gestão Marina Silva no ministério, contestada por uma legião de conceituados cientistas - mas sem que merecesse discussão alguma. Foi aprovada por proposta do governo ao Congresso em 2006, por escassa maioria - 221 votos a 199. E dava direito a conceder até 50 milhões de hectares, por 40 anos. Imediatamente vieram críticas contundentes, muitas delas já mencionadas em artigos neste espaço. A começar pelas do respeitado professor Aziz Ab"Saber, da USP, para quem se trata de "um crime histórico, uma ameaça de catástrofe". A seu ver, mais de 40% das terras são públicas e permitiriam "um programa exemplar". A concessão, no entanto, como seria feita pela proposta aprovada, levaria à exploração intensiva à margem de rodovias e à perda da biodiversidade. Mais ainda: as florestas jamais voltarão ao domínio público após 40 anos. Todos os países que entraram por esse caminho ficaram sem elas.
O professor Rogério Griebel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e o almirante Ibsen Gusmão Câmara argumentaram na mesma direção: é um sistema que dará início a um processo de evolução às avessas, partindo dos exemplares mais fracos (os que restarem após o corte dos melhores). Outro cientista do Inpa, Niso Higuchi, e o escritor Thiago de Mello perguntaram como seria possível falar em manejo sustentável se num único hectare de floresta podem ser encontradas árvores com tempo de maturação de 50 anos, ao lado de outras cujo tempo chega a ser de 1.400 anos. Como selecionar para o corte? Os professores Enéas Salati e Antônia M. Ferreira lembraram que existem muitas Amazônias diferentes, é preciso conhecer todas minuciosamente antes de qualquer decisão. E os professores Deborah Lima (UFMG) e Jorge Pozzobon (Museu Goeldi) acentuaram que os melhores exemplos de sustentabilidade não estão nesses projetos, e sim em áreas indígenas; o manejo "sustentável", ao contrário, está entre os piores. O agrônomo Ciro F. Siqueira trouxe argumento muito forte: não se deterá o desmatamento enquanto explorar ilegalmente um hectare invadido ou grilado custar menos da metade do que se gasta com um hectare em que se paguem todos os custos. Principalmente porque, como argumentou o ex-ministro José Goldemberg, no Brasil temos um fiscal para cada 100 mil hectares, 27 vezes menos que a média mundial.
Da mesma forma, poderia ser dito que o MMA continua tendo pouco mais de 0,5% do Orçamento federal. Como fará para cuidar de milhões de quilômetros quadrados da Amazônia? "Não temos para onde correr", limitou-se a dizer na época o diretor do Serviço Florestal Brasileiro (quem quiser conhecer, em toda a sua extensão, os pareceres dos cientistas pode recorrer aos números 53 e 54 da revista do Instituto de Estudos Avançados da USP).
Nesta mesma hora em que se vai avançar pelos mesmos caminhos - com os cientistas dizendo que todos os países que seguiram essa rota perderam suas florestas -, uma notícia deste jornal informa que 60% da madeira amazônica é desperdiçada por ineficiência no beneficiamento - quando o País consome 17 milhões de metros cúbicos anuais, segundo algumas fontes; ou 25 milhões, segundo outras (Envolverde, 20/10/2010). 46% do desmatamento corre por conta da agricultura (Greenpeace, 31/8). E poderão ser muito problemáticos os caminhos oficiais que permitem regularizar terras pagando até R$ 2,99 por hectare, com prazo de 20 anos.
E enquanto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência se esgoela inutilmente pedindo um programa de desmatamento zero e forte investimento em ciência na região - para formar cientistas e investir em pesquisas da biodiversidade -, este jornal traz a advertência do Imazon (15/7): o desmatamento vai aumentar até julho de 2012, com 10,5% mais que no período 2009-2010.
Com que cara nos vamos apresentar à Rio+20 no ano que vem, quando a perda de florestas será um dos temas centrais? Como vamos dizer que temos cumprido e cumpriremos metas para a área do clima? Vamos seguir nessa interminável tentativa de diálogo com um surdo?"

Da Redação

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Congresso debate reflorestamento ambiental

De 14 a 16 de setembro será realizado o Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental. Ele tem como tema central “O Pagamento de Serviços Ambientais" e acontecerá na sede do SESC em Guarapari – ES.
O evento é organizado pelo Centro de Desenvolvimento de Agronegócio. As inscrições devem ser feitas através de depósito bancário. Serão duas categorias. Para estudantes o valor varia de R$ 190 a R$ 240 e para profissionais de R$ 370 a R$ 480.
O congresso tem como objetivo aprimorar, estimular e divulgar conhecimentos técnicos e científicos, bem como promover o intercâmbio entre profissionais que trabalham nos diversos setores ligados ao tema como professores, pesquisadores, fiscais, ambientalistas, estudantes de graduação e pós-graduação, produtores rurais, empresários, entre outros, na busca de soluções para os desafios existentes no setor de florestas ambientais.


Ano internacional das florestas
Vale lembrar que esse ano a A Organização das Nações Unidas – ONU declarou que 2011 será, oficialmente, o Ano Internacional das Florestas. Segundo dados do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, as florestas representam 31% da cobertura terrestre do planeta, servindo de abrigo para 300 milhões de pessoas de todo o mundo e, ainda, garantindo, de forma direta, a sobrevivência de 1,6 bilhões de seres humanos e 80% da biodiversidade terrestre. Mesmo assim, atividades que se baseiam na derrubada das matas ainda são bastante comuns em todo o mundo.
A idéia da ONU é incentivar durante todo o ano eventos de conscientização sobre a conservação e de gestão sustentável de todos os tipos de floresta no planeta. No
site oficial da iniciativa, além de buscar informações, também é possível divulgas ações que serão realizadas sobre o tema.

Por Patric Chagas

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cientistas estudam micróbios das florestas

 A Fundação de Apoio à Pesquisa do Esrado de São Paulo, Fapesp, desenvolve projeto que estuda importância funcional das bactérias para a floresta. Pesquisas indicam que na Mata Atlântica cada espécie de árvore pode ter até 2 mil espécies bacterianas associadas
Desde 2006 cientistas ligados a um Projeto Temático do Programa Biota-Fapesp demonstraram que as plantas da Mata Atlântica possuem uma diversidade impressionante de bactérias associadas: cada espécie de árvore pode ter até 2 mil espécies bacterianas associadas, uma comunidade distinta - e única. O trabalho, divulgado na revista Science, sugeria que a função desses microrganismos para a dinâmica da floresta pode ser muito mais importante do que se imaginava.
 Agora, um outro Projeto Temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), iniciado em 2009, está aprofundando aquelas pesquisas a fim de entender melhor a diversidade microbiológica da floresta.
Um dos achados mais importantes até agora no novo projeto indica que a substituição de uma área de floresta por uma área de plantas cultivadas pode reduzir em mais de 99% a diversidade de bactérias associadas às superfícies das folhas. As consequências disso ainda estão sendo avaliadas.
A maior parte dos estudos está sendo realizada nas áreas pertencentes ao Temático que gerou os estudos concluídos em 2006, conhecido como Parcelas Permanente e coordenado pelo professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, também da Esalq. O trabalho mais recente foi feito na parcela de 10 hectares localizada no Parque Carlos Botelho, onde existem 217 espécies de árvores.

( Agência Fapesp)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

2011, o Ano Internacional das Florestas

O plenário da Organização das Nações Unidas (ONU) reunido em 2006, declarou que este ano, 2011, seria o Ano Internacional das Florestas. Desde então vem sendo feitos preparativos para que as discussões ganhem proporção mundial. O documento da organização afirma:os esforços concertados deve centrar-se na sensibilização a todos os níveis para fortalecer a gestão sustentável, conservação e desenvolvimento sustentável de todos os tipos de florestas para o benefício de gerações atuais e futuras.
O
objetivo da ONU, além de chamar a atenção para o meio ambiente, é  a sustentabilidade, discutindo a relação do homem com as florestas e a questão da pobreza. Afinal, boa parte das matas mais preservadas do mundo estão localizadas em regiões com populações miseráveis.
estão previstos encontros e conferências em várias cidades do mundo.
No Brasil,  o calendário oficial prevê a realização do Tree Biotechnology 2011 - From genomes to integration and delivery, de 20 de junho a 01 de julho , na Bahia, sob a responsabilidade da  Rede Global de Cooperação em Ciência Florestal - IUFRO. A ONU lançou uma plataforma on line interativa onde é possível acompanhar os eventos e dialogar sobre sobre experiências com gestão de florestas.

Da redação