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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Desmistificando a doação de sangue e o transplante de medula óssea


 Muito pouco se ouve falar em processos de hemoterapia, que nada mais é do que o emprego terapêutico do sangue. Em torno dele muitos mitos são criados, diminuindo assim o número de doadores.
Antigamente, a transfusão sanguínea era feita sempre através do sangue integral. Novas pesquisas foram feitas e o processo se tornou mais eficaz. O receptor não precisaria receber todos os hemocomponentes de um sangue, ou seja, os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma e plaquetas, mas sim apenas aquele componente que o paciente necessita.
O médico hematologista e oncologista, Dalnei Pereira, professor adjunto de hematologia e oncologia da UFSM afirma que com a evolução da medicina a complexidade da transfusão se tornou maior. “Não só no sentindo de fazer a transfusão daquele componente que o individuo necessita, mas também potencializar a quantidade do hemocomponente do que aquelas relacionadas à transfusão de um sangue total, contendo todos esses elementos”.
Dalnei Pereira, médico oncologista.
Atualmente, a prioridade é sempre pela transfusão de hemocomponentes, jamais de sangue total, só usado em raras exceções como, por exemplo, quando o indivíduo teve uma hemorragia aguda, ou em um processo cirúrgico onde o paciente tem uma perda significativa de sangue. A terminologia médica também mudou. O antes chamado “sangue integral” é o atual “sangue total” na semântica médica
Menos riscos na coleta e  transfusão
Santa Maria, sempre foi pioneira nos processos de hemoterapia. Em 1975 o Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, HCAA, já contava com a Hematerese - nome dado à máquina que faz o processo de transfusão de sangue, permitindo separar as plaquetas do plasma, e do sangue. Nesse processo, as plaquetas são separadas e o sangue retorna ao paciente. Esse processo tem o nome de “doação por Aférese”, e exige critérios para que seja feita a doação. O candidato à doação tem que ter um número de plaquetas suficientes para fazer a filtragem pela máquina. A coleta é feita através de duas punções venosas, sendo uma em cada braço, com o tempo de duração de 1h aproximadamente. Todo esse processo só veio a favorecer, pois na doação de sangue habitual um doador só consegue doar uma unidade de plaquetas, já na Aférese pode chegar até oito unidades. Segundo a Coordenadora do Hemocentro Regional de Santa Maria, Carla Coelho, a doação por Aférese é bem melhor para os pacientes. “Esse tipo de coleta é interessante já que um doador pode nos render oito unidades, sendo benéfico para o receptor. É que ele estará recebendo uma menor quantidade de antígenos, anticorpos de pessoas estranhas enquanto você faz um pool de plaquetas de oito pessoas diferentes, com a aférese dá a possibilidade de uma pessoa só, expondo menos o paciente a riscos.”
Santa Maria atualmente conta com uma unidade móvel de coleta de sangue, um ônibus com todos os equipamentos necessários. Facilitando o acesso para as pessoas que não tem como se deslocar até o Hemocentro. Para maiores informações pelo telefone (55) 3221-5262.

Transplante de medula óssea
Outro tipo de intervenção delicada é o transplante de medula óssea, que se faz necessário, quando o paciente utiliza altas doses de quimioterapia. Medicação essa que atinge não só as células tumorais, mas também as células normais. As mais sensíveis à  quimioterapia são exatamente as células epiteliais e as do sangue.
 Existem dois tipos de transplante de medula óssea. O que  pode utilizar a própria célula tronco do individuo que é coletada antes de realizar a quimioterapia e armazenada em temperatura extremamente baixa de -190°C. No Hospital Universitário de Santa Maria é possível realizar esse procedimento.
O segundo é através de um doador, podendo ser parente ou até ser cadastrado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Para poder ser um possível doador é necessário ter o sistema antigênico celular igual ou aproximado do paciente.  “Na maioria das vezes ele será igual, mas se tiver aproximação ele também serve como doador. Nós temos alguns transplantes nos quais o doador não era completo. E foram feitos com sucesso. Testamos 10 antígenos para ser igual. Se o indivíduo tiver 9 , ele pode ser um bom doador e, às vezes, até com 7 antígeno fazemos o transplante”, destaca Pereira.
A coordenadora Carla Coelho destaca que muitas pessoas tem medo em doar  por ser um processo cirúrgico, ou pelo risco de ocorrer um erro. “A pergunta mais comum é sobre o risco de ficarem inválidos. Então esclarecemos o que é uma medula óssea. A medula espinhal não é medula óssea, medula espinhal sim é coluna, medula óssea é o tutano do osso. Como ela vai ser retirada? Você vai para o bloco cirúrgico onde vai ter um acompanhamento multidisciplinar, com médicos de várias especialidades. Normalmente a retirada da medula óssea é feita do osso ilíaco, osso da bacia, feito punções e retirado no máximo 10%”, diz ela, ressaltando ainda, que não existe dano ao doador já que o local não tem vértebra.

Por Aline Schefelbanis e Jéssica Padilha

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Estudo analisa a toxicidade da Coronilha

    Pesquisador da UFSM conclui testes e explica sobre a planta de propriedades cardiotônicas e diuréticas
                                                                                                     

Coronilha. Foto:Arquivo.
                                                                                                  Por Camille Wegner e Mauren Freitas

A medicina popular tem as plantas medicinais como uma aliada no combate a muitas doenças. Você sabe até que ponto pode confiar no uso de plantas medicinais e fitoterápicas, sem estudos científicos realizados? A carência de informações científicas sobre muitas dessas plantas vendidas no comércio popular pode ser uma prática insegura de uso, tendo em vista o desconhecimento das doses e letais e terapêuticas destes compostos.
 Plantas medicinais apresentam uma vasta matriz fitoquímica (compostos químicos), onde se pode extrair compostos bioativos. Muitos dos fármacos usados na medicina contemporânea foram isolados de plantas medicinais. Quanto a isso, as plantas medicinais são um campo em potencial no que diz respeito ao isolamento de novas substâncias. Porém, o grande desafio de pesquisadores e cientistas que desenvolvem trabalhos nesta área é o fato de a matriz da planta ser muito complexa, ou seja, exige muitos passos para se descobrir qual é a substância daquela planta em questão responsável pela atividade biológica dela e que pode ser estudada e transformada, no futuro, em medicamento.

Robson Borba de Freitas estuda as propriedades da Coronilha.
Robson Borba de Freitas, 26 anos é farmacêutico e mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Seu local de trabalho no campus é o prédio 21, mais especificamente, no Laboratório de Fisiologia Experimental. Rodeado de medicamentos, pipetas e tubos de ensaio, Freitas investiga os possíveis efeitos tóxicos de plantas medicinais da flora gaúcha. A última pesquisa feita foi em relação à toxicidade da Scutia buxifolia, mais conhecida como a coronilha, uma árvore de pequena estatura da América do Sul.
A coronilha, no conhecimento popular, é tida como uma planta que ajuda no emagrecimento. No Rio Grande do Sul, os gaúchos tem o costume de colocá-la no chimarrão, bebida típica do estado. “Um estudo realizado em Porto Alegre revela que esta planta é uma das mais vendidas por ambulantes para a preparação de chás emagrecedores”, revela Freitas. Porém, não existem estudos científicos que comprovem que a planta tenha propriedades saciogênicas. Segundo o farmacêutico, a coronilha tem propriedades diuréticas, ou seja, ajuda na eliminação de líquidos. Com isso a pessoa desincha e acaba, como consequência, perdendo peso. Na prática, se conhece os benefícios da planta, mas não existem estudos científicos que comprovem suas ações no coração, outra indicação do conhecimento popular em relação ao uso do chá da planta. A coronilha apresenta propriedades cardiotônicas, ou seja, anti-hipertensivas. Estas já comprovadas cientificamente.
    O uso de qualquer substância seja ela natural ou não, deve ser feito com muita parcimônia, porque o índice de intoxicação por medicamentos no RS é alarmante. “Dados do Centro de Informação Toxicológica (CTI) do RS mostram que houve 266 casos de intoxicação causada por plantas somente este ano”, afirma Freitas. Nem tudo que é natural, está isento de efeitos colaterais. Já dizia o médico suíço e cientista da saúde, Paracelso: “A diferença entre o veneno e o remédio é a dose”.

 O processo da pesquisa em laboratório

    O processo concluído em agosto deste ano, passou por diversas etapas até o resultado final. Primeiro, o farmacêutico tinha que testar a toxicidade aguda da planta, para poder prosseguir seus estudos. De forma preliminar, Freitas isolou o chá da coronilha. Determinou dosagens, após um levantamento bibliográfico, e administrou uma vez só o chá nos animais. 
Robson Freitas no laboratório de fisiologia experimental da UFSM.
   No biotério setorial do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFSM, os ratos da raça wistar ficaram 14 dias sob os cuidados e olhos atentos do pesquisador. “Todos os dias eu pesava eles, media a quantidade de alimento que eles comiam, a ingestão de líquidos e sólidos e outros sinais que poderiam indicar uma possível toxicidade”, descreve o farmacêutico. Na toxicidade aguda, trabalha-se o conceito de dose letal. A dose letal corresponde, ao final dos testes premilinares, 50% da população dos animais terem vindo a óbito. No caso deste estudo, isso não ocorreu e  Freitas pode dar continuidade a sua pesquisa.
    Após escrever seu projeto e descrever todos os procedimentos experimentais a serem realizados com os ratos, Freitas teve sua pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Uso de Animais (CEUA). Os animais foram solicitados ao Biotério Central da UFSM e vieram para o Biotério Setorial, onde ficaram para um período de adaptação, de aproximadamente sete dias, sob condições controladas de temperatura e umidade. A partir disso, o farmacêutico pode começar a parte experimental da pesquisa.
Foto:http://accrux.wordpress.com/2008/12/25/scutia-coronilla-scutia-buxifolia-3/
    Primeiramente, o extrato da coronilha foi isolado. Um chá caseiro, porém liofilizado, porque o pesquisador perderia muito tempo para prepará-lo todos os dias. Liofilizar é passar a substância do estado líquido para o sólido. “A água é eliminada e o chá virá um pó”, explica. Depois disso, Freitas estipulou doses diferentes deste chá para aplicar em quatro grupos distintos de ratos. Estas dosagens fixadas por ele passaram por uma revisão bibliográfica, tendo em vista que não existiam estudos da toxicidade da coronilha ainda. O pesquisador utilizou como fonte, estudos de plantas da mesma família da Scutia. Os grupos formados por seis ratos wistar foram tratados com doses distintas durante 30 dias, uma vez por dia. O chá era administrado via oral, através de uma sonda intragástrica, pelo método de “gavagem”. Ao longo do experimento, o farmacêutico analisou o comportamento dos animais, alterações no peso corporal, ingestão de alimentos e outros sinais que poderiam indicar uma possível toxicidade. Após os 30 dias de tratamento, Freitas eutanasiou os animais com anestésico. “Lembrando que nós não sacrificamos animais. No cenário da experimentação, nós induzimos à eutanásia. Eutanásia significa boa morte, morte sem dor”, ressalva.
    Depois deste processo, o pesquisador fez o procedimento cirúrgico de laparatomia nos animais. Laparatomia significa fazer um corte para se retirar alguns órgãos. Na pesquisa em questão, o corte foi feito no abdômen e o órgão utilizado para analisar os resultados foi o fígado. “Eu utilizei o fígado, porque é o órgão que metaboliza a maioria das substâncias que nós ingerimos”, explica o pesquisador. O fígado é bastante rico em enzimas antioxidantes, porque tem um sistema de metabolismo formado por enzimas, o P-450, que metaboliza a maioria dos fármacos e xenobióticos que nos ingerimos.
    O objetivo da pesquisa de Freitas foi investigar se a coronilha é tóxica para animais, especialmente ratos e da raça wistar. Afinal, “Ratos e humanos tem metabolismos semelhantes. Embora outro pesquisador, sob condições diferentes, possa encontrar um resultado diferente. Pois, quando falamos em pesquisa tudo é possível”, acrescenta. Os resultados mostram que a coronilha não é tóxica. A Scutia pode ser utilizada, como matéria-prima, por empresas farmacêuticas para a fabricação de medicamentos diuréticos e que combatam a hipertensão.


   



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Morre o cientista político Carlos Nelson Coutinho


Faleceu na manhã desta quinta (20), aos 69 anos, o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Nelson Coutinho. Ele sofria de câncer no pulmão.
Livre-docente da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Coutinho tornou-se reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas no pensamento do filósofo húngaro György Lukács e do italiano Antonio Gramsci. É também autor de elogiada tradução para o português do clássico O Capital, de Karl Marx.
Em nota, o reitor da UFRJ, Carlos Levi, manifestou pesar pela morte do professor, que segundo ele foi um dos nomes de maior destaque na história da universidade. "Gramsciano de referência nacional e internacional, seu trabalho ajudou a formar pesquisadores e pensadores marcados pelo traço crítico essencial para a Universidade e para a mudança social. Como reitor, tive o prazer de conferir-lhe, recentemente, o título de Professor Emérito da UFRJ, numa cerimônia onde se via nos olhos de alunos, professores, funcionários, políticos e amigos o carinho e respeito que tinham por esse grande pensador", disse Levi.
"Fui formada por ele, toda uma geração de pesquisadores da área de Serviço Social, que hoje são reconhecidos, foi formada por Carlos Nelson Coutinho. Ele extrapolava o serviço social, era nosso Gramsci brasileiro e foi um dos pioneiros na divulgação da obra de Lukács no Brasil, a partir dos anos 60", declarou a professora Mavi Pacheco Rodrigues, diretora da Escola de Serviço Social da UFRJ.
Carlos Nelson Coutinho publicou livros fundamentais para os estudos de teoria política no País, como Gramsci, um Estudo sobre seu Pensamento Político e A Democracia como Valor Universal, entre outros. Foi diretor-geral da Editora UFRJ entre 2003 e 2011 e, em junho deste ano, recebeu o título de Professor Emérito, por sua contribuição à universidade.
Nascido em Itabuna (BA), em 28 de julho de 1943, o professor deixa mulher e uma filha.

(Por Ascom da UFRJ)





quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Abertas inscrições para o II Simpósio Nacional de Jornalismo Científico

Estão abertas as inscrições e a submissão de resumos para o II Simpósio Nacional de Jornalismo Científico. Elas podem ser feitas até o dia 30 de setembro corrente. O evento acontecerá em novembro, dias 28 e 29,  no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em Campos dos Goytacazes (RJ).
Organizado pela UENF com apoio da Faperj, o evento tem como tema geral a 'Política científica e política tecnológica: o que a mídia tem a ver com isso?'.  A conferência de abertura vai abordar o tema 'Por que o cientista agora tem que se comunicar?', e será ministrada pelo físico Ildeu de Castro Moreira, do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O Simpósio tem confirmada a presença de Graça Caldas (Labjor/Unicamp), Cidoval Morais de Sousa (Universidade Estadual da Paraíba), Cilene Victor (diretora de Redação da revista Com Ciência Ambiental), Fabiola Imaculada de Oliveira (jornalista e escritora, agraciada em 2002 com o Prêmio José Reis de Divulgação Científica do CNPq), Lena Vânia Ribeiro Pinheiro (coordenadora do Canal Ciência / Ibict), Renata Dias (editora do Jornal da Ciência da SBPC / Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Sofia Moutinho (jornalista da Revista Ciência Hoje) e Carlos Henrique Medeiros de Souza (UENF).
Profissionais que atuam na região de Campos também vão participar, como o jornalista Vitor Menezes, presidente da Associação de Imprensa Campista e professor do curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia de Campos/Uniflu.
Os interessados em participar do simpósio podem fazer sua pré-inscrição no site do evento, onde encontrarão mais informações.

Cronograma
- Inscrições e submissão de resumos: 01 a 30/09/12
- Prazo final para avaliação dos resumos: 19/10/12
- Seleção de trabalhos para apresentação oral: 19/10/12
- Envio de textos completos para apresentação oral: 19/10/12 a 09/11/12
- Inscrição em minicursos: 05 a 09/11/12

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A imprensa e a divulgação científica

      A popularização da ciência começou como um gênero literário, nos séculos XVII e XVIII, entre os países e sociedades. Porém, a humanidade não tinha os meios técnicos para que o conhecimento se tornasse possível a toda massa emergente.   No entanto, os grandes homens da história muito cedo perceberam a importância da disseminação do conhecimento. Um exemplo importante foi Leonardo da Vinci, pois ele enfatiza que o primeiro dever do cientista é estabelecer comunicação.
      Já no século passado, o jornalismo científico para Manuel Calvo Hernando é iniciado por causa da dupla explosão de conhecimento e informação, e emerge com mais força na Alemanha e nos Estados Unidos.
      Hernando acreditava que a divulgação da informação da ciência e da tecnologia era uma necessidade em nosso mundo e os jornalistas e escritores poderia tentar media-la à sociedade.
      Para ele, a divulgação da ciência deveria ser compartilhada, basicamente, entre cientistas e jornalistas.  Os professores e pesquisadores com interesse em comunicar a ciência para o público e torná-la mais acessível, com linguagem que possa estar disponível e estar mais perto de linguagem cotidiana deveriam fazê-la.
      Como comunicadores, a ciência é um dever, porque os meios de comunicação têm a obrigação de informar o homem médio, muitas vezes chamado de “público”, todas as coisas que acontecem ao seu redor e, especialmente, os fatos e conhecimentos que, como os avanços científicos estão transformando o mundo. 
      Nesta mesma linha, Hernando diz que não se pode esconder nada do público, pois tudo serve para o progresso da humanidade. Oferecer o material as pessoas, independente de seu valor científico é de interesse para o comunicador e pode influenciar positiva ou negativamente sobre o público.
      No início do século XIX, o desenvolvimento de parcerias para o avanço da ciência traz um progresso considerável na popularização da mesma, porque diversas instituições estavam tentando relacionar e vincular os cientistas com o público através da imprensa.
       Em uma sociedade democrática, os cidadãos precisam de uma compreensão básica de informação científica, para que eles possam tomar decisões informadas e não apenas contar com os especialistas. A obrigação de quem escolheu esta especialização evocativa está transformando o jornalismo em um. Positiva e criativa a serviço da educação popular e desenvolvimento integral do ser humano.

  A relação entre cientistas e jornalistas

Como todo trabalho, existem zonas de contatos (convergências) profissionais e as zonas de antagonismos (divergências). O cientista e jornalista têm muito em comum: ambos têm a obrigação de comunicas, e, portanto, o cientista, como o jornalista e escritor, a sociedade humana formula uma proposta que é um desafio e tanto: informar a incoerência do mundo, ou pelo menos explicar.
Ciência é conhecimento público. Público, aqui, tem o significado de “publicado”. Desde que tenha passado por um período de estudo crítico e testes. O objetivo da ciência não se limita a aquisição de informação ou a expressão de ideias contraditórias. Seu objetivo é o consenso de opinião racional sobre o campo mais amplo possível.
Os cientistas e os jornalistas dificilmente coincidem sua opinião com relação ao que será ou não notícia. Pois, os resultados de uma pesquisa são provisórios e, portanto não publicável pela imprensa até a aprovação dos colegas. Já os jornalistas, no entanto, tem o interesse em publicado o novo/espetacular. Porém, pode estar tratando-se de uma investigação provisória e até mesmo incorreta.
Uma tensão entre a relação entre jornalistas e cientistas é quanto ao momento de divulgação da notícia.

Zonas de atrito

Existem várias fontes de tensões entre esses profissionais. Afinal, cada um tem seus critérios de trabalho e exigências produtivas. O cientista deve confirmar todos os testes e verificar seus resultados, quase sempre sem a ansiedade de tempo. O jornalista geralmente não pode verificar suas fontes, trabalhando o tempo todo e necessita de uma explicação mais detalhada sobre a pesquisa para que não gere informações errôneas sobre aquele novo conhecimento proposto.
Uma grande barreira entre cientistas e jornalistas está na diferença de orientação do seu trabalho. O cientista é geralmente relacionado com a análise e soluções de problemas em longo prazo, já o jornalista é pressionado pelas exigências do mercado atual, bem como pelo curto prazo de conclusão do seu material produzido..

Pontos de vista de cientistas e jornalistas

Hernando pontua uma questão importante em relação aos cientistas e a comunicação deles com o jornalista e a sociedade. Ele diz que quando o cientista escreve com clareza e beleza é capaz de se comunicar com as pessoas, pois qualquer cientista que se recusa ou não sabe como explicar em termos simples o seu trabalho não é geralmente um bom profissional.
Em geral, ambos profissionais têm preocupações sobre a verdade dos fatos, honestidade e veracidade nas hipóteses explicativas e pensamentos. Clareza da mensagem e interesse, em partilhar o objetivo final da ciência como um instrumento ao serviço do homem é também um objetivo em comum das classes. A notícia como um bem social ou até mesmo como mercadoria. E cada um desses grupos precisa do outro para cumprir seu trabalho profissional.

Perfil de jornalista científico para o terceiro milênio

O jornalista do século XXI deve ser, além de especialista em generalidades, como qualquer jornalista, especialista em comunicação da ciência. As perspectivas de desenvolvimento tecnológico nas próximas décadas afetam não só o conhecimento e fabricação, mas toda a nossa vida diária, em nível individual e social.
O jornalista científico cruza as fronteiras entre cada uma das outras disciplinas com mais frequência do que os cientistas, assediado por superespecialização. É auxiliado por um grande número de cientistas profissionais, enquanto trata de um público. Público este, muito complexo e, em sua maioria, heterogêneo.
As sociedades do terceiro milênio precisam de um novo tipo de comunicador que seja capaz de avaliar, analisar, entender e explicar o que está acontecendo. Isso não quer dizer que o jornalista tem de abandonar o seu papel de informar.
O trabalho dos jornalistas de ciência tem sido avaliado com este fator sobre a precisão dos fatos que contam. Se, além disso, o leitor adquire uma melhor cultura científica ou compreender os fundamentos da mecânica quântica, biologia molecular ou física da atmosfera, melhor, mas isso não é essencial para o seu trabalho.
Hernando acredita que a especialização seja umas das maneiras de se conseguir maior rigor no jornalismo. É uma necessidade. O jornalismo, deste século, requer profissionalismo, exatidão, precisão, concisão, clareza. E, para funcionar, é essencial saber muito bem sobre o setor profissional ou a área de informação em que se está inserido. Caso contrário, o resultado pode ser um jornalismo mais brilhante ou mais ousado, mas menos grave e menos rigoroso. Na batalha pela qualidade, maduro, que sabe melhor as informações de cada lote e são capazes de expor para o público.
O jornalista científico tem sido definido como uma espécie de máquina, um intermediário entre o pesquisador e o leitor. E, como qualquer intermediário, corre-se o risco de não deixar ninguém satisfeito. O público pode não ter compreendido a explicação. O pesquisador pode pensar que as informações foram adulteradas. E ainda, na melhor das hipóteses, deturpadas.

Qualidades de um jornalista científico
Acima de tudo, um jornalista, deve satisfazer as condições e características peculiares da profissão. Aplicar as regras jornalísticas básicas e fundamentais. Para um tipo específico de informações, relacionadas à ciência e tecnologia, deve pesquisar e  agregar conhecimentos.
Para Hernando, o divulgador da ciência, se um jornalista profissional, deve mover-se entre o desejo de compreensão, a curiosidade universal, a capacidade de expressão, sede de conhecimento, o estado de dúvida, o cepticismo e alerta permanente.  Preocupação com o rigor, o senso de admiração, e, claro, como tal, divulga, o gosto pela comunicação.
A divulgação requer tradução e simplificação com cuidados de ideias científicas. Hoje você começa a ter consciência da necessidade de difundir o conhecimento na sociedade. A informação é essencial para o desenvolvimento tanto da ciência como a comunicação entre as empresas e indivíduos. Dar uma definição é complicada, mas pode-se argumentar que a divulgação é dar ao público o conhecimento que consideramos necessário para o seu próprio desenvolvimento e usar para isso os canais mais adequados, ou seja, os meios de comunicação.
Como em outras especialidades do jornalismo, temos de lidar com grandes quantidades de informações, selecionando as que podem se tornar notícia e apresentá-las ao público de forma eficaz e sugestiva. Outra questão que Hernando aborda é de que sempre têm de explicar. Pois, trata-se de um conhecimento, muitas vezes, desconhecido pelas pessoas. E nós, como especialistas em mediar informações, devemos saber fazer isso melhor do que ninguém

Desafios atuais em matéria de divulgação científica

A necessidade de envolver a sociedade no conhecimento científico, os seus benefícios e seus riscos, e ainda, promover o diálogo razoável entre aqueles que estão no comando da atividade científica e o resto dos cidadãos é o maior desafio de jornalistas responsáveis pela divulgação científica.
Afinal, todas as atividades humanas têm sido e são transformadas pela atividade científica e tecnológica, e quase sempre em benefício do indivíduo e da sociedade. Por isso, existe essa necessidade de prestar conta ao cidadão, que será atingido, diretamente, por essas mudanças científicas e tecnológicas.
Desafios do jornalismo científico
Um dos maiores problemas no jornalismo científico é a relação entre cientistas e jornalistas. Principalmente, no que diz respeito às diferenças entre os dois grupos, em especial, no conceito de notícias e do tempo que leva, ou deva decorrer entre a conclusão da obra (científica ou jornalística) e sua distribuição para o público.


Jornalismo científico: explicar o universo

Em última análise, os problemas do jornalismo científico são derivados da coleta de dados (fontes) e da capacidade de expressão e de transcodificar a mensagem científica para entender o que os especialistas querem dizer aos não-especialistas (público). Estamos na era da ciência e, portanto, refletem os mais recentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos na mídia é, ou deveria ser, a grande notícia, a explicação diária do universo, o instrumento de participação das pessoas nesta única aventura da espécie humana, que é o conhecimento científico e as aplicações técnicas.
Devemos notar que, graças aos avanços no conhecimento, milhões de pessoas desfrutam níveis de saúde e bem-estar que apenas um século atrás, ou até menos, só poderia ser alcançado pelos poderosos da terra. Mas nem o conhecimento, nem cultura, nem o bem-estar, nem a riqueza, ou a informação, uniformemente distribuída. Metade da população mundial ainda vive sob as servidões da pobreza, insegurança, do velho e doloroso, e da ignorância.
Jornalismo científico é uma ferramenta para a democracia, porque proporciona todas as pessoas a comentar sobre o progresso da ciência. E ainda, permite o compartilhamento com os políticos e cientistas, da capacidade de tomar decisões sobre as graves questões que o desenvolvimento científico e tecnológico impõe.
Hernando salienta questões relacionadas aos problemas de divulgação, tais como: a língua, a extensão e profundidade da ciência, a ambivalência entre jornalistas e cientistas para divulgar, o conflito entre a velocidade e precisão, a necessidade de não perder de vista o equilíbrio informativo, a aceleração de nosso tempo.