O Blog Hypercubic - nasce
de uma mente inquieta e curiosa.
O cientista, blogger e jornalista Renato
Pincelli desde criança se interessava por ciência, lia revistas como a extinta
Globo ciência, além da coleção de livros da série Curiosidades e enciclopédias.
Largar os
livros e sentar em frente da TV na infância de Pincelli só acontecia quando O Mundo de Beakamnn estava na telinha,
um programa
de televisão educativo
e estrelado pelo ator americano Paul Zaloom, que atuava como
o Professor Beakman. Nessa produção
audiovisual destinada ao público infantil experiências cientificas eram
ensinadas e por meio de uma abordagem divertida
conceitos apresentados, além
disso Albert
Einstein, Isaac Newton, Bernoulli e outros reis da
ciência apareciam nos episódios tornando tudo mais divertido, dinâmico e
interessante.
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| Renato Pincelli é jornalista científico |
Pincelli é um fã nato
de ciência, em sua infância ir na locadora era sinônimo de mais um documentário
assistido em sua lista de muitos. “Aos dez anos, sempre
alugava um VHS de desenho animado, uma comédia e um documentário da National
Geographic”, relata o jornalista científico Pincelli. Ele conta que
sempre viu um ar cientifico no desenho animado do Coyote e o Papa-léguas,
pois há uma brincadeira com os nomes científicos dos personagens no
começo de cada episódio e o processo de tentativa e erro de capturar a ave
fugitiva é um fato marcado.
Quando
Pincelli é questionado sobre qual seria a melhor definição para ciência, ele
cita Carl Sagan numa entrevista com Charlie Rose: "Ciência é uma maneira
de questionar o universo de maneira cética, sabendo da nossa falibilidade
humana". Depois disso o blogger completa: “Sagan queria dizer que quem não
sabe fazer perguntas céticas, quem não questiona os donos da verdade acaba
virando massa de manobra para qualquer aventureiro político ou charlatão
religioso que surge. Mais do que criar tecnologia ou colecionar conhecimento, a
ciência é uma maneira que temos para evitar sermos enganados, inclusive por nós
mesmos. ”
Alguns anos se passaram, então
Pincelli deixou de ser apenas consumidor de conteúdo científico e tornou-se
também produtor. A paixão pela ciência desde cedo, deu frutos, o Blog Hypercubic, um site de ciências que
além de informações dessa área, traz também conteúdos de opinião, curiosidades
e cultura desde o ano de 2007. Cada dia
mais o blog avança e conquista espações e reconhecimento, a página do Facebook já
tem quase dois mil seguidores e no ano de 2012 o jornalista científico recebeu
o III Prêmio Bê Neviani, como vencedor na categoria
blogs.
No ano de 2011 o site deixou de
pertencer ao formato blogspot e inseriu-se no Sciencia Blogs, um espaço online que
abriga a maior rede de blogs de ciência do mundo. Este espaço busca aproximar a
sociedade das descobertas e pensamentos da ciência. O entrevistado acredita que na
plataforma é possível discutir Ciência de forma aberta e inspiradora, além
transformar vozes das mais variadas localidades em vozes globais, pois nesse
ambiente virtual é possível encontrar conteúdo em diferentes línguas como:
inglês, português e alemão. Hoje Pincelli sente-se satisfeito por integrar essa
rede e traduz seus sentimentos nas seguintes palavras: “vejo essa mudança
como um amadurecimento, uma semi-profissionalização do meu trabalho e tenho orgulho
de ser um scienceblogger”.
Com uma linguagem engraçada, descontraída e nada formal o autor do
blog, de 23 anos, tem um texto curioso e dinâmico. O design é esteticamente
bonito. Combinando três tons de verde, seu ícone é um hipercubo, ou seja, um
volume maior que um cubo comum. A disposição do site é organizada e traz alguns
tópicos como: Adicione a sua dimensão, ou seja, um espaço para troca de
conhecimento entre o público e o produtor de conteúdo para a internet, lá é
possível enviar opiniões sobre as postagens, criticas, textos para serem publicados,
histórias curiosas, quadrinhos etc.
O blog tem o
nome de Hypercubic, pois o cientista lia alguns estudos sobre a quarta dimensão
geométrica, ele explica que na matemática um hipercubo
é uma versão quadridimensional de uma figura simples, o cubo. Diferente do
cubo, o hipercubo tem um espaço interno, um volume muito maior. “Eu achei que a
definição de hirpercúbico seria uma boa analogia para a internet em geral. Eu
via meu blog como uma caixa hipercúbica onde podia colocar minhas ideias e
interesses. Mantive o nome em inglês por questões puramente fonéticas. Achei que
hypercubic soava melhor que hipercúbico”, esclarece Pincelli.
Na hora de
produzir conteúdo além do prazer em poder compartilhar o que o interessa,
Renato Pincelli traduz textos em inglês, pois enxerga que boas produções se
perdem por não possuírem versões em português. Ele Gosta de escrever ou estudar
sobre um pouco de tudo. “Acho que essa curiosidade generalizada é fundamental
para o jornalista científico. No entanto, os interesses variam com o tempo.
Houve uma época em que mantive uma coluna semanal sobre patentes bizarras, mas
fui parando aos poucos quando isso deixou de me interessar. As áreas que mais
rendem ultimamente são astronomia e nanotecnologia, mas também gosto muito de física,
biologia, história, arqueologia, linguística”, conta o cientista.
O autor do Hypercubic prefere trabalhar
sozinho e no seu ritmo que determina dois ou três posts por semana. Hoje relata que
gostaria de apoio, de uma equipe maior já que inicia novos projetos em sua vida
acadêmica. Para organizar os conteúdos que serão dispostos no blog, Pincelli faz
uma seleção de notícias relevante, escolhe a partir de e-mails que assina de
sites que apresentam comunicados científicos, como o Phys.org, o ScienceDaily
ou o Sci-News.
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| Hyppercubic e a origem do Chá |
“Quando escolho algo, penso em apresentar uma pesquisa que seja interessante,
mas não necessariamente revolucionária ou bombástica, afinal todo mundo acabaria
escrevendo sobre isso”, explica o autor do blog.
Não é uma tarefa fácil trabalhar com ciência,
muito menos com a divulgação desta. Um modelo de jornalismo científico a ser
seguidos aos olhos de Renato Pincelli é o trabalho de Mauricio Truffani no
Direto da Ciência, que pauta uma área pouco explorada, a da política científica e, também, busca esclarecimentos de alguns escândalos acadêmicos. Um apelo de Pincelli é que haja equilíbrio e
não uma produção científica voltada totalmente a academia ou outra com uma linguagem simplista, que torna a
pesquisa científica e seus processos irrelevantes, assim muito faz a Ciência Hoje, da SBPC e por vezes
a Superinteressante.
Para encerrar Pincelli ressalta que o papel do jornalista científico é
semelhante ao de um tradutor, pois ambos trabalham com o incompreensível para
determinado público e recodificam isso para torná-lo mais acessível. “Um bom
jornalista científico deve, além de muita curiosidade, ter certo pendor para a
tradução, tradução não apenas de texto, de jargão, mas de ideias e noções que
muitas vezes são abstratas e distantes demais do cotidiano. O papel do
jornalista científico é pegar esse material bruto e digeri-lo, tornando-o mais
palatável para o leitor. É preciso simplificar, encontrar analogias que existam
no dia-a-dia do leitor. Ao mesmo tempo, não se pode simplificar demais. A
dificuldade do jornalismo científico é essa: encontrar um equilíbrio entre a
simplificação que esclarece e a que imbeciliza”.