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domingo, 7 de maio de 2017

A Ciência nas redes: uma viagem sem volta

           
Atila Iamarino, doutor em microbiologia.
  “Deu certo. Eu engano as pessoas dizendo que eu vou falar sobre quadrinhos, sobre cultura pop ou qualquer outra coisa... Mas eu estou lá falando de ciência!” (Euraxess Science Slam Final 2016, Átila Iamarino). Para descobrimos – ou aceitarmos – que gostamos de ciência, precisamos chama-la de outra forma. Que tal traduzir o termo do latim? Conhecimento. Se a ciência  afasta uns, o conhecimento atrai muitos.
Átila Iamarino, o comunicador científico com formação em biologia e doutorado em microbiologia, é expert em abordar, a partir da ciência, as áreas da física, psicologia, matemática, astronomia, história, ecologia, química, engenharia e outras. “Eu pego algo que a galera curta e coloco ciência por lá”, diz Iamarino em entrevista à Warner, onde conta sobre a importância de aproximarmos a informação e o entretenimento em busca de alcances maiores.
                Quem precisa falar em ciência para falar de ciência? Iamarino escreve no blog Rainha Vermelha e comanda o canal de vídeos Nerdologia. Com quase 1 milhão e 700 seguidores que assinam e acompanham seus vídeos, o cientista descobriu que gostava de “ensinar” dando aula em cursinhos comunitários, ainda na época da universidade. Desde então, ele se aventurou em algumas redes sociais até chegar ao YouTube, em 2010.
                Os dois vídeos semanais e a interação do público comprovam: a ciência precisa fazer parte da cultura. O tempo, a convivência e a companhia respondem por isso quando colocam um cientista como alguém que frequenta a casa de diversos telespectadores todas as terças e quintas-feiras. O trabalho de Iamarino, afinal, é ampliar o processo de geração, transferência e uso de informação científica, tornando-se um exemplo de comunicador científico – através de fotos, vídeos, gráficos, ilustrações e cores, o cientista educa a população para a ciência. O resultado da educação? O saber!
                O blog Rainha Vermelha, ao contrário do canal Nerdologia, é um espaço onde Iamarino divide com os leitores seus livros preferidos, opiniões sociais e políticas, dicas para cientistas “iniciantes” e, também, informações sobre a vida na terra. Na fala ou na escrita, o youtuber – quem diria que chamaríamos um cientista de youtuber? – aplica a ciência de tal forma que o público só percebe a tradução, ou seja, o conhecimento adquirido. Para o conhecimento, enfim, o mundo sempre abrirá as portas – cientistas, bem-vindos à comunicação!

Por Manuela Fantinel


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Blog Psicológico: o acesso aos conhecimentos da psicologia no cotidiano comum

A figura do pesquisador pode ser quase caricata na nossa sociedade. Fora do meio científico, a imagem do pesquisador é a de uma pessoa muito inteligente, tão inteligente que é difícil ou praticamente impossível acompanhar o que ela diz. E de fato, é difícil compreender alguns temas que norteiam os “mais conhecidos” assuntos da ciência. O conceito ainda é entendido por muitos como aquilo que está relacionado a moléculas, neurônios, nanotecnologia, entre outros elementos das chamadas Ciências Naturais e Exatas. Mas falar com um cientista sobre suas pesquisas não é tão complexo e inalcançável quanto parece.
Felipe Epaminondas é psicólogo clínico,Analista do Comportamento, 
especialista em psicopatologia clínica e mestre em psicologia
 pela PUC-GO.
Uma prova de que é possível tratar de ciência de forma simples e relacionada ao cotidiano são os blogs do Science Blogs Brasil que possuem uma linguagem acessível ao público leigo. Dentre eles está o Psicológico, blog escrito pelo psicólogo e professor Felipe Epaminondas, especialista em psicopatologia clínica e mestre em psicologia. Por vezes, o blog trata de assuntos relacionados com os estudos do autor, mas não possui linguagem científica de difícil acesso para os leitores leigos no assunto. Diversos textos escritos por Epaminondas têm caráter de curiosidade, são sobre algo que ele assistiu ou leu.
 O conteúdo divide-se em dezesseis categorias, dentre elas estão “curiosidades”, “eventos”, “filmes”, “humor”, “livros”, “neurociência” e “psicopatologia”. São feitas observações e inclusive análises de livros e filmes. Epaminondas começou as publicações em 2008 entre o fim da graduação e o início do mestrado. Ele diz que na graduação se aprende muita coisa sobre comportamento que pode ser aplicada no cotidiano. A partir disso surgiu o pensamento de como seria bom para outras pessoas se elas tivessem acesso a esse conhecimento. “Comecei meu blog com o propósito de passar adiante coisas que eu aprendia no curso e na experiência como terapeuta”, comenta o pesquisador. 
As publicações nem sempre tem relação com os estudos acadêmicos de Epaminondas. Ele aproveitou o espaço para sugerir leituras, filmes, vídeos e comentar episódios de séries de TV. “O bom da psicologia é que tudo que envolve comportamento podemos comentar e onde há pessoas há comportamento, então fica fácil achar assunto”.
O Psicológico já chegou a ter duas mil visualizações diárias e os leitores atuais continuam deixando seus comentários, inclusive em publicações antigas. Ele diz que se em nossa cultura a educação científica não é valorizada, então qualquer leitor que tiver já é considerado um número satisfatório. Graças ao blog, Epaminondas já foi chamado para ministrar palestras, comentar em reportagens e alguns leitores já entraram em contato para buscar atendimento psicoterapêutico. Para ele, o blog é " um exemplo de que a ciência já está próxima de nós, do nosso cotidiano, até das nossas ações e que nós podemos nos aproximar mais dela também". 

Entrevista com Eduardo Bessa, do blog Ciência à Bessa

Por Pedro Lenz Piegas

Eduardo Bessa é zoólogo e
trabalha  na UFMT
A interdisciplinariedade pode ser um dos caminhos para fazer com que a ciência seja mais popular? 
Entrevista com o professor Eduardo Bessa, zoólogo na Universidade do Estado de Mato Grosso e especialista em comportamento animal. Escreve para o blog Ciência à Bessa. O blog é relacionado a área de biologia e traz matérias são sobre seres vivos, como por exemplo animais listados em extinção, pesquisas na área, condições, salários e a informações a respeito da profissão de biológo no Brasil. 
Link para o blog: http://scienceblogs.com.br/bessa/

   Como surgiu a ideia de ter um blog sobre animais, biodiversidade? Pode falar um pouco sobre ele também?Bessa:Sempre gostei de falar sobre ciência, mesmo antes de me tornar pesquisador eu já gostava disso. Escrevi matérias para o Estadão, Scientific American e Ciência Hoje. O Ciência à Bessa surgiu em 2008 na noite do meu casamento. Um grande amigo, o Carlos Hotta, me perguntou: "E aí, o jornalzinho da graduação da Bio-USP ficou no passado (eu escrevia uma coluna chamada Maravilhosa Obra do Acaso nesse jornal), vai parar de escrever sobre ciência? Por que não cria um Blog?" No começo fiquei meio resistente, nem sabia direito o que era um blog e nunca fui muito bom de informática, mas o Carlos acabou me convencendo. Na época eu não sabia, mas ele já estava pensando em criar o Lablogatórios com o Átila Iamarino, que depois tornou-se Scienceblogs Brasil. Aí acabou me incluindo nesse grande condomínio de blogs científicos. O Ciência à Bessa não surgiu exatamente como um blog de animais, eu falava de física e química também. Com o tempo senti necessidade de ocupar meu próprio nicho e deixar de lado aquilo que não dominava tanto assim. Por isso, acabei convergindo para a Zoo e o Comportamento Animal, minhas áreas de formação.

    Como você vê a ciência sendo divulgada na mídia hoje em dia? Com tantas possibilidades de conhecimento através de blogs (como o seu), artigos acadêmicos disponibilizados também na Internet.
    Bessa:Tem muita gente no mundo e por isso tem público para tudo. Sempre haverá leitores para a revista Superinteressante, assim como sempre haverá audiência para o Iberê Thenório no Manual do Mundo. Recentemente os blogs perderam muita visibilidade com o crescimento do youtube, mas eu gosto é de escrever. Então vou seguir é como blogueiro mesmo, sempre terei um leitor ou outro. Acho que a grande mídia poderia produzir material de melhor qualidade. Não gosto da Super, do canal NatGeo e nem do Globo Ciência. Mas sabe que esses canais nem me incomodam tanto? Me incomodam muito mais as vias de divulgação de pseudociências travestidas de ciência séria. As redes sociais, em especial o facebook e o whatsapp, se tornaram jardins de mentiras sinceras que se espalham rapidamente. As pessoas parecem não ter filtro, não desconfiam de nada. Isso sim me perturba.

Bessa: Não estou certo se eu sei o que é interdisciplinariedade (ou o que NÃO É interdisciplinar). Em todo caso, caixinhas como Zoologia ou Genética ou Fisiologia são ferramentas didáticas, não barreiras físicas reais que isolam disciplinas. Acho que o que realmente tornaria a ciência mais popular seria as pessoas fazerem parte do processo científico. A ciência é encantadora, só não o sabe quem nunca experimentou.

   Você acredita que todo pesquisador também precisa ser um bom comunicador? No sentido de redação, expressão oral ao transmitir conhecimento para o público hoje. Bessa:Nenhum trabalho científico é pleno enquanto não se torna acessível a outros da comunidade científica ou leiga. Por isso o cientista tem que ser um comunicador. Em curto prazo, saber comunicar a beleza da sua pesquisa para seus pares cientistas é suficiente. Serão eles que julgarão o mérito para um novo financiamento. No entanto, em longo prazo a grana para a ciência vem do contribuinte, do cidadão comum. Se não aprendemos a seduzi-los, um dia a fonte seca. Daí a importância da divulgação científica na minha opinião.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Psicologia, Ciência e Internet: entrevista com André Rabelo do canal Minutos Psíquicos

André Rabelo é doutorando em
Psicologia na UNB
A criatividade é impulsionada de mentes inquietas. Esse é o caso de André Rabelo, que produz conteúdo para internet com o propósito de instigar e divulgar a ciência para jovens.
Rabelo é formado em Psicologia e mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB). Atualmente, é doutorando do programa de pós-graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da UnB e professor do curso de psicologia no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).

Além disso, é o autor do blog SocialMente e do canal do youtube Minutos Psíquicos, onde desde 2014
 publica vídeos curtos sobre psicologia e o universo. 


Em entrevista para Renata Teixeira, 
acadêmica de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano (Unifra - RS), Rabelo conta sobre o trabalho e o interesse pela produção de conteúdo para internet. 







Qual a proposta inicial do canal? 
Rabelo: A proposta do canal Minutos Psíquicos é oferecer vídeos curtos, didáticos e objetivos sobre psicologia e ciência de um modo mais amplo. Os vídeos tem como base os conhecimentos científicos mais atuais dos quais dispomos e a linguagem adotada busca instigar a curiosidade e compreensão dos assuntos.

Como surgiu a iniciativa? 
Rabelo:Eu sempre me senti insatisfeito com o material disponível na internet e na mídia sobre ciência, especialmente sobre psicologia. Eu não encontrava muita coisa falando sobre as coisas que eu andava lendo e adorando conhecer, principalmente relativo às pesquisas científicas. Então pensei que eu mesmo podia fazer algo pra preencher essa lacuna, e foi ai que eu comecei o blog SocialMente e alguns anos depois o Minutos Psíquicos.


A equipe é formada por pesquisadores ou as informações dos vídeos vem de outras fontes? 

Rabelo:Eu sou pesquisador e produzo o conteúdo da maior parte dos vídeos. O resto da equipe está mais voltado para a parte técnica de produção das ilustrações e edição dos vídeos. As informações dos vídeos vêm principalmente de artigos científicos, livros, sites especializados e matérias jornalísticas de qualidade.

Qual o público-alvo dos vídeos? 
Rabelo:Qualquer pessoa interessada na mente e no comportamento humano, mas especialmente de adolescentes pra cima.

Vocês acham que conseguem atingir um público mais jovem, que talvez não se interessaria pela ciência, por conta das ilustrações dos vídeos e linguagem mais coloquial dos vídeos? 
Rabelo:Sim, acredito que isso possa influenciar sim.

Como são escolhidos os assuntos abordados nos vídeos? 
Rabelo:Não tem uma regra rígida, mas geralmente eu tento manter um equilíbrio entre os temas que eu já tinha planejado abordar, os temas mais pedidos pelas pessoas nos nossos vídeos e perfis de redes sociais e os temas que estão mais atuais na mídia (ex: jogos olímpicos). Tenho dois critérios que acho importantes pra dar prioridade pra um tema: quanta informação de qualidade disponível existe sobre aquele assunto e o quão geral, interessante e chamativo é o assunto.


Vocês tratam nos vídeos, até mesmo assuntos, que são vistos como tabu e que a grande mídia não costuma abordar, como por exemplo o suicídio. Como é a resposta dos internautas a respeito disso? 
Rabelo:Até o momento, a reação do público de um modo geral aos temas que abordamos tem sido muito positiva. As pessoas gostaram muito do vídeo sobre suicídio, por exemplo, e o mesmo serviu pra grande maioria dos outros temas. Não estou conseguindo me lembrar agora de algum tema que não tenha sido bem recebido pelo público por mais polêmico que fosse.

A internet é aliada para disseminar conhecimentos sobre ciência ou é um empecilho por conta das inúmeras informações incorretas que circulam na rede? 
Rabelo:No momento, acho que as duas coisas. Ela pode ser uma grande aliada, mas muitas vezes não têm sido. O problema não está na internet em si porque ela é só uma ferramenta. O problema está com quem a usa e com as suas respectivas motivações. Muitas pessoas estão mais interessadas em ganhar cliques e audiência do que em disseminar conhecimento científico com embasamento e pra isso apelam bastante. É uma pena, é um desserviço e atrapalha o esforço de quem está tentando promover uma mudança cultural a respeito de como a ciência é vista e tratada na nossa sociedade.

Como funciona para apoiar no Patreon?  
Rabelo:É só a pessoa entrar na nossa pagina no Patreon e se inscrever para nos patrocinar. Ela pode doar diferentes quantias por mês e pode interromper a sua doação quando quiser. As pessoas que têm nos apoiado por lá são responsáveis pela maior estabilidade nas publicações e o crescimento do nosso canal, eles fazem muita diferença e nos motivam a querer melhorar sempre o nosso conteúdo!

Por Renata Teixeira para a disciplina de Jornalismo Cientifico